Em entrevista ao bahia.ba, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) expressou sua insatisfação em relação à postura da Prefeitura de Salvador durante o Carnaval, apontando que a gestão tem priorizado o diálogo com os donos de camarotes e outros empresários, enquanto ignora os trabalhadores informais, que são essenciais para o sucesso da festa.
“É evidente que a Prefeitura tem focado nos donos de camarotes, mas não olha para os trabalhadores informais, que carregam o carnaval nas costas. Esses trabalhadores merecem atenção, e não podem ser tratados como invisíveis”, afirmou Aladilce.
A vereadora destacou ainda a atuação da Câmara Municipal de Salvador, que, por iniciativa do vereador Maurício Trindade (PP), organizou 10 reuniões com ambulantes, catadores de latinhas e cordeiros. O objetivo dessas reuniões foi ouvir as demandas desses trabalhadores, que, segundo Aladilce, clamam por socorro. “Eles pedem um olhar humano para suas condições de trabalho. Enviamos um conjunto de reivindicações e documentos à Prefeitura, mas, infelizmente, a resposta foi o silêncio”, relatou a vereadora.
Apesar da falta de ação por parte da gestão municipal, Aladilce fez questão de reconhecer o apoio do Governo do Estado. “Felizmente, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), ofereceu pontos de hidratação e banheiros ao longo do circuito, além de tomar outras providências que minimizam as condições de trabalho dos ambulantes e outros profissionais. É um alívio, mas ainda há muito a ser feito”, destacou.
A vereadora enfatizou a importância de os empresários e a Prefeitura reconhecerem a relevância desses trabalhadores. “São mais de cinquenta mil pessoas que estão na rua, muitas vezes sob sol forte, com suas famílias, para garantir que o carnaval aconteça. Não podemos continuar ignorando sua contribuição”, afirmou.
Aladilce também aproveitou para lembrar que, apesar das campanhas publicitárias e do brilho do carnaval, a pobreza e a desigualdade social de Salvador não podem ser escondidas. “A desigualdade é evidente. Não tem como mascarar a situação do povo soteropolitano, pois ele vem para a avenida e faz parte da festa”, ressaltou.
Ao final da entrevista, a vereadora manifestou a esperança de que, após o Carnaval, as discussões sobre as condições dos trabalhadores informais sejam retomadas. “Espero que, assim que o carnaval passar, possamos retomar as conversas e buscar soluções mais efetivas e permanentes. Não dá mais para tratar esses pais e mães de família, que trabalham para garantir o sustento de suas casas, como se fossem invisíveis”, concluiu Aladilce.
Com a crítica contundente, a vereadora reafirmou seu compromisso de continuar lutando por melhores condições de trabalho para aqueles que, de fato, fazem o carnaval acontecer.

