Chico César celebra conexão com a Bahia: ‘Me sinto em casa no Carnaval’

    Cantor destaca influência da cultura baiana e renovação com o público jovem

    Foto: Italo Ribeiro / bahia.ba

    Um dos nomes mais aguardados da segunda-feira (16) de Carnaval no Largo do Pelourinho, o cantor e compositor paraibano Chico César reforçou sua relação umbilical com a Bahia em entrevista exclusiva ao bahia.ba. O artista, que subiu ao palco do Centro Histórico às 21h deste dia 16, detalhou como o estado funciona como uma “locomotiva” para o Nordeste e comentou o processo de renovação de sua base de fãs através das redes sociais e parcerias com a nova geração.

    A apresentação faz parte da programação do Carnaval Largo do Pelourinho, realizada pelo Governo da Bahia em parceria com o Ministério da Cultura e o Governo Federal.

    Bahia como inspiração e lar

    Questionado sobre o elo com a música produzida no estado — que celebra este ano os 30 anos do álbum Feijão com Arroz, de Daniela Mercury, onde Chico estourou com o hit “À Primeira Vista” —, o paraibano definiu as duas vertentes que o alimentam artisticamente: o sertão e o litoral.

    “Admiro a Bahia por dois aspectos: a Bahia Sertão, de Elomar e Xangai, que me inspira desde menino, e a Bahia de Jorge Amado, [Gilberto] Gil, Caetano [Veloso] e Glauber Rocha”, disse. Para o artista, o estado exerce um papel de liderança regional. “A Bahia é como uma locomotiva que vai levando o Nordeste junto ao lado de Pernambuco. Eu me sinto em casa saindo no microtrio em vários carnavais”, afirmou.

    Fenômeno “pós-Juliette”

    Desde o fenômeno de exposição no BBB 21, através de Juliette Freire, Chico César viu sua obra ser abraçada por uma nova geração. Segundo ele, esse movimento de descoberta externa é reflexo de uma inquietude interna. Durante a pandemia, o músico intensificou sua presença digital, ensinando acordes de suas canções e mostrando composições inéditas quase diariamente.

    “As pessoas ficam interessadas no artista que não se acomoda. Eu estou muito interessado no meu próximo movimento”, explicou. Essa postura o levou a colaborações recentes com nomes como BaianaSystem, com quem já dividiu trios e gravações. “Estar vivo, pulsante e inquieto repercute nas pessoas. Tem gente que gosta de artista que se repete; tem gente que gosta de artista que se renova”, concluiu.

    Programação no Pelourinho

    Além de Chico César, a segunda-feira no Pelô conta com um line-up de peso. A abertura ficou por conta do encontro de guitarras de Pepeu Gomes e Davi Moraes. Após o show do paraibano, a banda Filhos de Jorge encerra a noite. Nos intervalos, a DJ Bruxa Braba comanda as picapes.