
Foto: Rafael Matos/ Bahia.ba
O cantor Jeremias Gomes, filho da lenda do reggae brasileiro Edson Gomes, foi uma das atrações deste sábado (14), segundo dia oficial do Carnaval no Largo do Pelourinho.
Em entrevista ao Bahia.ba, Jeremias falou sobre o momento atual do reggae no Brasil e destacou o fortalecimento do gênero nos últimos anos. Para ele, o estilo vive uma retomada que reconecta o público às suas raízes.
“Ao longo dos anos eu sinto que a música reggae vem voltando para o lugar que nunca deveria ter saído. Acho que o ano de 2025 e os anos que vêm chegando, filme de Bob Marley, várias turnês de várias bandas acontecendo, o que está acontecendo também na carreira de Edson Gomes, do Natiruts e de várias outras bandas, impulsionaram muito isso e reforçaram essa coisa do reggae no Brasil com mais força, mais ênfase”, afirmou.
“Hoje estar aqui no Carnaval de Salvador, no Pelourinho, o berço da música preta e a música forte daqui da Bahia, com meus convidados, com o reggae, é um motivo de muita alegria”, completou.
Jeremias reconhece a influência direta do pai em sua trajetória, mas afirma que tem buscado consolidar sua própria identidade artística.
“Essa identidade vem com o passar do tempo, com o passar das coisas que eu venho fazendo. Eu tenho um evento chamado Baile do Rasta, que a gente já vem fazendo há dois anos na cidade. É um evento ainda jovem, mas que a gente está fazendo coisas. Então, com isso você vai construindo uma carreira, uma imagem, uma cara, um corpo próprio”, explicou.
“Obviamente a minha maior influência é Edson Gomes, é o meu berço, minha escola, mas também curto e flerto com outros nomes da cena, nacional e internacional. E com tudo isso a gente vai montando esse Jeremias Gomes”, emendou.
O show deste sábado (14) também teve um caráter simbólico ao reunir artistas de diferentes gerações do reggae baiano. Para Jeremias, essa troca é fundamental para manter o gênero vivo e em constante renovação.
“Essa coisa de estar dividindo o palco com outros artistas é importante porque você acaba unindo gerações. Eu sou uma geração mais jovem, tem a galera da Cativeiro que já tem uma estrada muito grande, tem o Val Caetano, que é da banda Dissidência, que tem 30 anos de carreira. Eu venho fazendo esse recorte e unindo essas gerações”, afirmou.
“A gente consegue dialogar com a galera que vem já há um tempo e eu, que sou nova geração, também dialogando com a galera que está nascendo, fazendo coisas novas e inovadoras”, concluiu.

