Publicado em 16/02/2026 às 22h06.

Kannário interrompe show após agressão da PM a foliões: ‘Tentativa de homicídio’

"Quem é que vai responder pelo que a polícia está fazendo com as pessoas?", questionou o cantor

André Souza
Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

O cantor Igor Kannário interrompeu seu show e fez um longo desabafo contra a atuação da Polícia Militar durante sua apresentação no Carnaval de Salvador. O artista afirmou ter presenciado agressões a foliões no circuito Osmar (Campo Grande), na tarde desta segunda-feira (16), e classificou a ação como “tentativa de homicídio”.

Kannário comandava sua tradicional “Pipoca” quando decidiu paralisar o show. Do alto do trio, visivelmente exaltado, ele criticou o que descreveu como uso excessivo de força por parte de policiais contra pessoas que acompanhavam o desfile.

“Não precisa isso, como é isso, velho? Uma cacetada dessa numa pessoa vai causar sequelas no cara. Isso é um absurdo, isso é homicídio, é assassinato que está acontecendo aqui, é uma tentativa de homicídio”, afirmou o cantor, enquanto pedia que o público e a imprensa registrassem as imagens. “Que bom que vocês estão gravando tudo na íntegra. Eu estou cansado disso”, completou.

Segundo o artista, a decisão de interromper o show foi tomada em respeito ao público, para evitar interpretações de que teria abandonado o trio sem justificativa. Ele disse não ter “estômago” para continuar a apresentação diante da cena que, segundo ele, testemunhava.

“Eu já estou cansado. Estou vendo os policiais agredindo as pessoas, dando cacetadas que vão causar sequelas. Tem gente que pode ficar aleijada para a vida inteira com uma pancada dessas. Não dá para ficar calado”, declarou. Em outro trecho, afirmou que a cobertura da imprensa deveria dar visibilidade às ocorrências. “A mídia tem que filmar essa parada. Não é possível que o mundo inteiro não esteja vendo essas covardias”, disse.

Críticas a Segurança Pública

Durante o discurso, Kannário também questionou a postura das autoridades estaduais presentes no evento. Ele citou representantes do governo que estariam no trio elétrico e cobrou posicionamento sobre as ações da corporação.

“Eu espero que amanhã vocês não me deixem sair como problemático. Tem representante do governador aqui, tem secretário, tem todo mundo responsável. Quem é que vai responder pelo que a polícia está fazendo com as pessoas? É o governador? É o comandante?”, questionou.

O cantor afirmou que episódios semelhantes se repetem ao longo dos anos no Carnaval de Salvador e disse que a recorrência dos casos tem impactado sua motivação em participar da festa. “Todo ano eu falo a mesma coisa. Prometo para minha produção, para minha equipe, para minha mãe que vou ter equilíbrio, paciência, respeito. Mas quem vai prometer para mim que não vai bater nas pessoas?”, declarou.

Ao comparar a atuação da PM baiana com a de outras cidades por onde passou recentemente, Kannário afirmou ter presenciado condutas que classificou como “trabalho de maestria” em municípios como Itabuna e Juazeiro, além de estados como Pernambuco, Piauí, Alagoas, Ceará e Maranhão.

“Eu não estou querendo afrontar a polícia. Estou falando como ser humano. Está errado. Se for para me tornar refém dessa covardia, para mim não dá”, disse o cantor, que encerrou o pronunciamento sob aplausos de parte do público.

 

André Souza
Jornalista com experiência nas editorias de esporte e política, com passagens pela Premier League Brasil, Varela Net e Prefeitura Municipal de Laje. Apaixonado por esportes e música, atualmente trabalha como repórter de Política no portal bahia.ba.

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