Olodum é vetor de consciência antirracista, diz Ângela Guimarães

    Secretária destaca a força cultural do bloco afro no Pelourinho

    Foto: Jorge Jesus/bahia.ba

    A secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), Ângela Guimarães, destacou a importância cultural e social do Olodum para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

    Em entrevista ao Bahia.ba concedida nesta sexta-feira (13), durante a saída do bloco afro na Casa do Olodum, no Pelourinho, a secretária destacou que o Olodum é um dos principais formadores de consciências antirracistas no Brasil. 

    “O Olodum é um grande formador de consciências antirracistas de muitas gerações. Já são quase cinco décadas de criação desse bloco afro responsável por ressignificar a presença da população negra aqui no Centro Histórico e de propagar essa imagem por todo o mundo”, afirmou.

    Ângela Guimarães disse ainda que o papel simbólico e comunicacional dos tambores do grupo. Para ela, o bloco transformou a música em instrumento de libertação e afirmação da identidade negra.

    “Com a força do tambor, compreendendo a tecnologia do tambor, com uma tecnologia muito complexa de comunicação, você toca o tambor aqui e, lá no continente africano, ressoa essa resposta. Serviu para ser um instrumento de libertação da população negra”, declarou.

    A titular da Sepromi ainda chamou a atenção para o papel socioeducativo dos blocos afro, ao abordar temas ligados à história dos reinados africanos e à contribuição civilizatória do continente africano. Segundo ela, essas iniciativas ajudam a reeducar uma sociedade “constituída em bases racistas”, que historicamente apagou a contribuição da população negra.

    Ângela citou ainda o Programa Ouro Negro, que celebra 18 anos e garante apoio financeiro a entidades carnavalescas de matriz africana. De acordo com ela, a política pública representa um compromisso de reparação histórica.

    “Quando implementamos políticas públicas como o Programa Ouro Negro, para assegurar que entidades como o Olodum continuem saindo com dignidade, estamos fazendo um papel de reparação histórica, reconhecendo que no passado o Estado errou e que no presente precisamos assegurar equidade”, afirmou.

    “O Olodum é muita sabedoria acumulada. É despertar de consciências, é demarcar para sempre o lugar da população negra na construção da cultura afro-baiana e afro-brasileira e estabelecer essa conexão afrodiaspórica”, concluiu.