Abrir novos leitos não resolve se população não mudar comportamento, diz infectologista

    Alerta é da diretora do Instituto Couto Maia, Ceuci Nunes, ao apontar que a rede pública está à beira de um colapso

    Foto: Paula Fróes/GOVBA

    “O que a gente precisa é mudar os hábitos. As pessoas precisam entender a gravidade. Ir para a rua só para o necessário, usar máscara e fazer o distanciamento. Não tem outra saída.” O alerta é da diretora do Instituto Couto Maia, Ceuci Nunes, diante do cenário de pré-colapso nos hospitais da rede pública em todo o estado —onde 83% das UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo) já estão ocupadas.

    Para a infectologista, abrir novos leitos em meio ao espalhamento descontrolado da Covid-19 não resolverá o problema. Ela diz que o necessário é que haja uma mudança de comportamento da população.

    “A rede privada está colapsada, isso a gente sabe. E a rede pública existem vários locais da Bahia onde tem colapso. Em Salvador, pelo esforço dos governantes, a gente está conseguindo abrir leitos. Então ainda não chegou nesse colapso. Mas, por exemplo, nós [no Couto Maia] não temos quase leitos nenhum hoje pra oferecer à população. A gente tem leito da pessoa que sai de alta ou que, infelizmente, morre. São esses leitos que a gente está colocando à disposição da sociedade”, afirma Ceuci.

    “E agora? Quando você abre leito, a taxa de ocupação cai, mas o número de pessoas internadas está maior.”

    “Ontem nós abrimos mais 20 leitos de enfermaria no local que funcionava o ambulatório. São leitos mais precários, que gente não pode botar pacientes graves nesses leitos. Abrimos pra ajudar o estado nesse combate à pandemia”, diz a infectologista.

    Ela também chama atenção para a logística que a ampliação de leitos requer quando feita emergencialmente. “Abrir mais hospital é também um necessidade que é muito dolorosa. Primeiro, será que nós vamos ter profissionais de saúde pra esses novos leitos? Isso é um grande problema. Quando se abriu leitos há muito tempo, a gente já teve dificuldade de profissionais de saúde. São profissionais de saúde que a gente precisa fazer treinamento”, explica.

    Sobre as novas variantes da Covid-19 em circulação atualmente, a diretora do Couto Maia afirma que, sem controle, sua disseminação tenderá a causar uma explosão de casos. “A gente não sabe se essas cepas são mais letais. Elas são mais infecciosas, você contamina um universo muito maior de pessoas. Você vai ter um percentual de casos graves sobre esse número alto vai ser muita gente. Então não adianta. Vai ter uma hora que a gente vai parar. Não vai ter como abrir leito. Não vai ter espaço físico e não vai ter profissional”, afirma a infectologista.