Arthur Weintraub admite conselhos a Bolsonaro, mas nega gabinete paralelo

    Em vídeo, ex-assessor da Presidência alegou que fazia apenas contatos científicos para tratar sobre pandemia

    Bolsonaro e Arthur Weintraub, ex-assessor especial do governo (Foto: Reprodução/Twitter)

    O ex-assessor da Presidência da República, Arthur Weintraub, divulgou um vídeo em que nega ter participado da organização de um gabinete paralelo que atuaria de modo extraoficial na orientação de Jair Bolsonaro (sem partido) nas ações de combate à pandemia de Covid-19 no país. Na gravação, publicada em redes sociais no sábado (5), ele aparece ao lado do irmão, o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub.

    O tema é um dos principais investigados na CPI da Covid.

    “Quando se ouve aí na na Comissão Parlamentar que organizei… Cara, eu não organizei gabinete, eu fazia contatos científicos e trazia as informações pro presidente. […] Não havia assessoria paralela do presidente”, diz Arthur Weintraub, que atuava dentro do Palácio do Planalto no núcleo que ficou conhecido como “ala ideológica” do governo.

    Em agosto de 2020, período em que o governo brasileiro acelerava a campanha em defesa do que passou a chamar de “tratamento precoce” (estímulo à cloroquina e outros medicamentos sem eficácia comprovada), o então assessor foi designado “especialmente” por Bolsonaro para “acompanhar questões relativas ao tratamento precoce da covid-19”.

    Vídeos revelados pelo portal de notícias Metrópoles mostram o chamado “gabinete paralelo” orientando Bolsonaro a ter cautela com vacinas sobre a Covid-19. Nas imagens, aparecem a médica Nise Yamaguchi, o ex-ministro Osmar Terra e o virologista Paulo Zanoto, entre outros participantes.

    Em depoimento à CPI da Covid, Yamaguchi afirmou ter se reunido com Arthur, e disse aos senadores que participou de conversas que discutiam a prescrição do uso de cloroquina para o tratamento da covid-19.

    “Tive contato, sim, com a com a doutora Nise, ela falava com o presidente, tive contato com com o doutor Janotto, virologista. Eles conversavam comigo, me traziam as coisas para mostrar para o presidente. E era simplesmente uma questão que eles conseguiam ter uma interface, uma conversa comigo, por eu ter essa possibilidade de entender a parte científica do artigo científico. E eu consegui traduzir de uma maneira mais simples para o presidente”, afirmou Arthur Weintraub no vídeo.

    “E agora, mais recentemente, começaram a colocar o meu nome, como chefe de um gabinete paralelo que nunca existiu, eh, nos contatos existem, eram contatos de cientistas, Oxford, contatos de cientistas de universidades renomadas, virologistas, médicos que atuam em áreas de ponta”, acrescentou.

    No último dia 26, o colegiado da CPI da Covid aprovou a convocação de Arthur Weintraub, De acordo com o senador Alessandro Vieira, os parlamentares pretendem cobrar de Weintraub esclarecimentos sobre a sua atuação “na estrutura extraoficial de assessoramento no combate à pandemia”.