Bolsonaro põe militares na Anvisa para controlar política de vacinas contra coronavírus

    Aparelhamento de três das cinco diretorias da agência pode dar maioria ao presidente em todas as decisões acerca das aprovações

    Foto: reprodução/YouTube

    O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está agindo para garantir o controle da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), reporta a Agência Reuters. Segundo a  publicação, alguns especialistas em saúde temem que a articulação politize o órgão regulador e dê ao presidente, um dos mais proeminentes céticos em relação ao coronavírus no mundo, as rédeas sobre aprovações de vacinas contra a Covid-19.

    Em 12 de novembro, Bolsonaro indicou o tenente-coronel reformado do Exército Jorge Luiz Kormann para assumir um dos cinco cargos de diretoria da Anvisa. Sem experiência em medicina ou desenvolvimento de vacinas, Kormann deve liderar a unidade encarregada em dar sinal verde aos imunizantes. Caso o nome seja confirmado pelo Senado, como se espera, aliados de Bolsonaro ocuparão três das cinco diretorias da Anvisa, o que lhes dará maioria em todas as decisões da agência.

    “A Anvisa hoje esta sendo aparelhada por diretores aliados com a postura negacionista e irresponsável do ponto de vista sanitário do Bolsonaro”, disse o deputado Alexandre Padilha (PT-SP), ex-ministro da Saúde.

    A Reuters informa que entrevistou mais de uma dezena de autoridades antigas e atuais, governadores e parlamentares sobre os planos de Bolsonaro para a Anvisa, um órgão regulador responsável pela aprovação de medicamentos, dispositivos e tratamentos.