Bruno Reis: Salvador não vai conseguir vacina se precisar disputar com a rede privada

    Prefeito da capital baiana diz ser contra a venda da imunização antes de grupos prioritários receberem as dosagens

    Foto: Max Haack/Secom

    Se precisar disputar com a rede privada de saúde, Salvador não conseguirá adquirir vacinas contra o novo coronavírus, que provoca a Covid-19. Essa é a análise do prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), que se diz contrário à venda do produto antes que os grupos prioritários sejam imunizados.

    Segundo o democrata, se já está difícil conseguir vacina disputando com Municípios de todo o Brasil, concorrer com a rede privada seria inviável, sobretudo por não ser necessária a realização de licitação e porque as empresas podem “pagar antecipado”

    “Você acha que vai conseguir comprar vacina para oferecer para quem mais precisa? Claro que não vamos conseguir. Quem vai levar vantagem, quem vai ser beneficiado é quem tem dinheiro para pagar. Nesse momento, não há nem como cogitar isso. Esqueça Salvador ter condições de comprar vacina. Se for disputar com laboratórios privados do Brasil e do mundo, a gente não vai conseguir comprar a vacina”, afirmou.

    Bruno ponderou, contudo, que as clínicas podem cumprir o papel de dar suporte à rede pública e comercializar a imunização após os grupos prioritários serem vacinados.

    “Depois que a gente oferecer à população mais carente, se a particular quiser pagar, tem todo direito, até porque o sistema de saúde privado funciona como complementar ao SUS. Quem pode pagar é bom que ajuda o poder público a manter esse ônus. A prioridade é o Sistema Único de Saúde. É oferecer a vacina gratuita para quem não tem condições de pagar. Nesse primeiro momento, sou totalmente contra”.