Caráter técnico está acima de qualquer pressão política, dizem servidores da Anvisa

    Em meio à politização da corrida das vacinas, profissionais divulgaram carta aberta em que afirmam estar acostumados a situações delicadas

    Diretora da Anvisa, Alessandra Bastos; o diretor-presidente, Antonio Barra Torres (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

    Servidores da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgaram uma carta aberta em defesa da agência, que está no meio de uma disputa política provocada pela corrida para a obtenção de vacinas contra a Covid-19. A informação é da coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo.

    Na carta, os funcionários reafirmam “o caráter técnico e independente dos trabalhos e das atividades desenvolvidos pelos servidores da agência na promoção e na proteção da saúde da população”.

    De acordo com a Folha, eles se dizem acostumados a situações delicadas, mas asseguram que “o trabalho técnico está acima de qualquer pressão”.

    “Ao longo dos seus 20 anos de existência, a agência consolidou-se como uma referência no setor de saúde justamente pelo trabalho desenvolvido por seus servidores, que resultou na reconhecida excelência da sua atuação regulatória e na credibilidade de suas ações e decisões, baseadas exclusivamente em critérios técnicos e científicos”, diz o documento, que tem a chancela da Univisa, entidade que representa os servidores.

    A Anvisa acabou sendo envolvida no embate entre o governador de São Paulo, João Doria, e o presidente Jair Bolsonaro, que divergem sobre os prazos e a forma de liberação das vacinas.

    Ainda de acordo com a Painel, o documento reafirma que o corpo técnico da agência tem “trabalhado incansavelmente, por meio de avaliação técnica criteriosa”, para que as vacinas liberadas sejam “seguras, eficazes e produzidas com qualidade”.

    “Podem ter certeza de que nós, servidores da Anvisa, não faltaremos ao povo brasileiro e daremos nossas melhores energias e todo o nosso conhecimento técnico para aprovar, com segurança e com a urgência que a situação exige, as vacinas que o país aguarda com tanta ansiedade”, diz a carta.