China considera misturar vacinas para aumentar a eficácia

    “As autoridades têm que pensar em formas de resolver o problema dos níveis de eficácia das vacinas, que não são altos”, disse o diretor do Centro para o Controle e Prevenção de Enfermidades, Gao Fu

    Foto: Bruno Concha/Secom

    A China está estudando a possibilidade de misturar vacinas contra a Covid-19 para que a eficácia dos imunizantes desenvolvidos pelo país contra a doença seja maior, de acordo com o informado pelo diretor do Centro para o Controle e Prevenção de Enfermidades, Gao Fu, durante conferência em Chengdu.

    “As autoridades têm que pensar em formas de resolver o problema dos níveis de eficácia das vacinas, que não são altos”, assinalou o veículo digital chinês “The Paper”, citando o diretor.

    De acordo com o portal da revista IstoÉ, essa é a primeira vez que um especialista chinês reconhecido menciona publicamente a eficácia relativamente baixa das vacinas produzidas por seu país, enquanto Pequim dá continuidade à sua campanha de vacinação e exporta doses para todo o mundo.

    No Brasil, inclusive, as vacinas CoronaVac e de Oxford, que estão sendo aplicadas pelo Plano Nacional de Imunização, possuem insumos fabricados no país asiático. A China já aplicou 161 milhões de doses desde que começou a vacinar sua população, no ano passado, e deseja que 40% do seu 1,4 bilhão de habitantes estejam imunizados até junho.

    Na conferência realizada na sexta-feira (10) na cidade chinesa de Chengdu, Gao Fu apontou que uma solução para o problema da eficácia dos imunizantes é alternar o uso de doses de vacinas elaboradas com diferentes tecnologias. Essa opção também é analisada por especialistas sanitários de outros países.

    Atualmente, a China conta com quatro vacinas aprovadas condicionalmente, cujos níveis de eficácia publicados são inferiores aos dos produtos Pfizer-BioNTech e Moderna, que alcançam 95% e 94%, respectivamente. A chinesa Sinovac afirma que os testes feitos no Brasil mostram cerca de 50% de eficácia em evitar prevenir a infecção e 80% em evitar os casos que precisam de intervenção médica. Já as vacinas Sinopharm têm eficácia de 79,34% e 72,51%, respectivamente, e a CanSino, de 65,28% após 28 dias.