Cidade de São Paulo pega emprestados cilindros de oxigênio de clínicas veterinárias

    Secretária de Saúde afirmou que medida foi emergencial, mas os hospitais não utilizaram o insumo

    Foto: Divulgação/Sesab

    Para dar conta de suprir a demanda, a prefeitura de Valinhos, cidade do interior de São Paulo, pegou emprestados cilindros de oxigênio de clínicas veterinárias. Segundo o portal Terra, a informação do empréstimo dos insumos foi revelada pela secretária municipal de Saúde, Carina Missaglia, contudo, na terça-feira (9) ela negou ter usado os cilindros.

    “Não foi uma fala técnica, foi uma questão emocional diante da situação que estamos enfrentando. Era um plano B, nem chegamos a usar. Foi uma medida de emergência. No domingo foram entubados três pacientes e o consumo foi muito grande, o oxigênio não ia ser suficiente. Pedimos emprestado para as clínicas, mas não chegamos a usar”, pontuou.

    Em um áudio vazado de uma reunião que a secretária participou no último domingo (5), ela falou sobre o empréstimo e também sobre o aumento no atendimento de pacientes infectados pela Covid-19. A cidade já está com 100% dos leitos de UTI e de enfermaria ocupados.

    “Conversei com amigos veterinários que emprestaram cilindros de oxigênio de clínica veterinária, que amanhã teria cirurgia. Nós estamos lá com cinco cilindros de oxigênio de clínica veterinária. Neste momento, a gente precisa de cilindros pra por oxigênio”, afirmou.

    “Nós usamos 24 ‘torpedos’ por semana, hoje estamos usando no mínimo 40 por dia. Quando a gente intuba paciente na UPA, lá não é lugar pra estar entubado e ele consome muito oxigênio, e aí nosso coração começa a disparar, a lágrima escorre porque a gente não sabe a hora que vai acabar esse oxigênio”, completou.

    Após o caso repercutir na cidade, a prefeitura afirmou que já iniciou a instalação de um tanque fixo de oxigênio na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para aumentar a capacidade de entrega do insumo. Na UPA, 14 pacientes estão internados com a Covid-19. A prefeitura admite que o local não é adequado, mas não há mais leitos na Santa Casa, nem no Hospital Galileo.