Leo Prates sai em defesa da Pfizer: Ofereceu 80 milhões de doses e governo federal não quis

    Ao contrário do secretário estadual de Saúde, o secretário municipal disse que farmacêutica norte-americana não tem culpa por estoque ter acabado

    Foto: Matheus Morais/bahia.ba

    Secretário de Saúde de Salvador, Leo Prates (PDT) saiu em defesa da farmacêutica norte-americana Pfizer, denunciada nesta quinta-feira (21) pelo secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, por não ter armazenado doses da vacina contra a Covid-19 para vendar à Bahia.

    “Minha visão é mais próxima do governador. Também procuramos [Município] comprar. A Pfizer não tem culpa nesse momento, porque foi oferecida 80 milhões de doses em agosto pelo governo federal, que é o responsável pela compra dos imunizantes segundo o plano de imunização. E ele não quis. Não estou fazendo crítica, estou estabelecendo os fatos. Não cabe a mim fazer o julgamento”, disse em evento da Prefeitura realizado nesta quinta.

    Mais cedo, o bahia.ba mostrou que Vilas-Boas acusou a farmacêutica de negar doses do imunizante para a Bahia após fazer uso da “boa fé” de voluntários baianos. “Investimos na montagem de uma rede de ultracongeladores e, agora, nos informam que venderam tudo pra outros países”, afirmou.

    Quando o imunizante da Pfizer, desenvolvido em parceria com a empresa de biotecnologia BioNTech, começou a ser aplicado na Bahia em fase de teste em novembro de 2020, não havia acordo com o Estado que garantisse a adesão e comercialização de doses da vacina no país. Mas o governador Rui Costa (PT) teve encontros oficiais com representantes da farmacêutica.

    Após comprovada a eficácia e início de venda para outros países, a Pfizer chegou a dar um ultimato no Brasil para decidir se iria ou não encomendar doses da vacina. Em dezembro, a farmacêutica reforçou que o estoque com o imunizante estava cada vez menor.

    Na ocasião, foram fechados acordos com mais de 30 países, sendo Estados Unidos, Reino Unido, Japão e União Europeia os principais compradores. Na América Latina, Chile e Peru também fecharam acordo com a empresa. No Brasil, contudo, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) só aprovou a vacina em janeiro deste ano.