Médico promotor da cloroquina contra coronavírus admite ineficácia de substância

    Em março do ano passado médico divulgou estudo feito com 42 pessoas que indicava eficácia da substância associada a azitromicina

    Foto: Reprodução/Agência Pará

    O médico francês Didier Raolt, considerado o principal promotor da hidroxicloroquina, admitiu pela primeira vez que a substância não tem qualquer impacto na Covid-19. A afirmação foi feita em uma carta publicada no último dia 4 de janeiro no site do Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologida.

    Em março do ano passado, início da pandemia, o médico divulgou um estudo feito com apenas 42 pessoas segundo o qual ficava comprovada a eficácia da hidroxicloroquina associada a azitromicina. A única condição para a eficácia era a administração do medicamento no início dos sintomas.

    No entanto, cientistas em todo o mundo e a Organização Mundial da Saúde criticaram o estudo por ter sido conduzido fora dos protocolos científicos padrão. O presidente Jair Bolsonaro é também defensor da cloroquina como tratamento precoce contra a Covid-19 sem qualquer evidência científica.

    “As necessidades de oxigenoterapia, a transferência para UTI e o óbito não diferiram significativamente entre os pacientes que receberam hidroxicloroquina com ou sem azitromicina e os controles feitos apenas com tratamento padrão”, escreveu Raolt, de acordo com informações de Época.

    Por outro lado, segundo a publicação, Raolt ainda defende que o tempo de internação dos pacientes tratados com hidroxicloroquina e azitromicina foi menor.