Publicado em 13/01/2021 às 08h54.

MPF e TCU são acionados após pressão de Pazuello para uso de cloroquina

Os deputados Alexandre Padilha (PT-SP) e Marcelo Freixo (PSOL-RJ) querem que governo explique ofício enviado à Prefeitura de Manaus

Redação
Foto: José Dias/PR
Foto: José Dias/PR

 

Depois que o ministro da Saúde Eduardo Pazuello enviou ofício para a Prefeitura de Manaus cobrando o uso de medicamentos de eficácia não comprovada para o tratamento da Covid-19 (como cloroquina e ivermectina), deputados decidiram acionar o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal (MPF).

Alexandre Padilha (PT-SP) e Marcelo Freixo (PSOL-RJ) querem que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) explique a pressão feita à capital do Amazonas, que envolveu também um pedido autorização para fazer uma ronda nas Unidades Básicas de Saúde para encorajar o uso das medicações.

A alternativa, não utilizá-las, é tratada como “inadmissível” em documento enviado para a secretaria de Saúde de Manaus. A capital do Amazonas e o estado têm batido recordes de internações e mortes e têm sofrido com a falta de leitos e de equipamentos.

Ex-ministro da Saúde, Padilha pediu que a “irresponsabilidade com os recursos públicos” seja apurada pelo TCU, e que também que a Corte impeça o Ministério da Saúde de recomendar tais medicações aos municípios e estados e de fazer essas visitas para disseminar o “tratamento precoce”.

“No momento em que países já começaram o processo de vacinação da sua população, é estarrecedor que o Ministério da Saúde tenha apresentado apenas um arremedo de Plano Nacional de Vacinação, e continue empenhando recursos públicos de grande vulto para oferecer medicamentos que não possuem eficácia científica comprovada contra a Covid-19”, escreve Padilha, que também enviou um requerimento de informações à pasta de Pazuello.

Freixo, por sua vez, anunciou em suas redes sociais que recorrerá ao Ministério Público Federal e também comparou falhas na programação do governo federal à iniciativa de enviar o ofício.

“Em vez de providenciar agulha, seringa e calendário de vacinação, Pazuello está pressionando a prefeitura de Manaus a distribuir cloroquina e ivermectina na rede pública. Até ronda nos postos de saúde o ministro quer fazer. Vamos acionar o Ministério Público Federal”. Com informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo.