Pazuello terá que explicar ‘omissão’ de quilombolas na fila de vacinação, diz MPF

    Grupo não foi identificado explicitamente na estimativa de distribuição das doses nas primeiras etapas da campanha

    Foto: Alan Santos/PR

    O Ministério Público Federal (MPF) quer que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, explique o motivo da “omissão” dos quilombolas na lista que inclui os grupos prioritários na fila de vacinação.

    Em documento enviado na terça-feira (19), o órgão cita que, apesar de aparecer no plano nacional de imunização apresentado pelo Ministério da Saúde ao Supremo Tribunal Federal (STF), o grupo não foi identificado explicitamente na estimativa de distribuição das doses que serão ministradas nas primeiras etapas da campanha.

    “Considerando que a interpretação lógica do plano permite a conclusão de que as comunidades quilombolas devem fazer parte da 1ª fase, e que sua omissão parece ter contribuído para que alguns Estados excluíssem tal grupo de seus planos de vacinação, solicito a Vossa Excelência esclarecimentos acerca dessa omissão”, afirma uma parte do ofício.

    Conforme cita o documento, em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) chegou a retirar a obrigatoriedade de vacinar a população quilombola na primeira fase, no entanto, por causa da repercussão negativa, o tucano voltou atrás.

    Ainda no documento, a pasta é obrigada a explicar porque considerou grupos como ribeirinhos e quilombolas prioritários, mas não acrescentou outros grupos vulneráveis, como os pescadores artesanais. Ao final, o MPF pede ainda que o Ministério da Saúde entregue a base de dados utilizada para estimar quantas vacinas serão necessárias para imunizar os indígenas.

    Eduardo Pazuello tem até três dias para responder ao MPF.