Prazo de 60 dias para aprovação de vacina é excessivo, afirma ex-presidente da Anvisa

    William Dib também critica falta de planejamento do governo federal e politização de Doria

    O prazo de 60 dias estimado pelo Ministro da Saúde Eduardo Pazuello para certificação de qualquer vacina contra a Covid-19 é muito longo.

    A análise é do ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), William Dib. “É excessivo esse prazo, e contraria o decreto presidencial de que a questão Covid é prioritária. Não pode nenhum processo passar na frente. [Estimar] 60 dias é temeroso”, disse.

    Dib presidiu a agência até dezembro do ano passado e, segundo ele, o corpo técnico da agência não se curva ao processo político, mas admitiu que a direção da Anvisa pode influenciar nos prazos.

    “A politização da Covid começou há muito tempo. Agora que a vacina é uma realidade, não podemos imputar culpa aos técnicos da Anvisa por um possível retardamento [na autorização]”, afirmou.

    Ele também criticou o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) pela falta de preparação para a distribuição de vacinas. “Não estamos vendo um planejamento coerente. Ainda vamos dar muita cabeçada”.

    Além disso, o ex-presidente também vê uma politização da questão por parte do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que anunciou um calendário de vacinação antes mesmo de autorização da Anvisa.

    “No mínimo ele [Doria] é muito corajoso, porque não é praxe o que ele fez. É um jeito de fazer pressão política. Esse é um dos problemas. Não é só um lado que faz política, os dois estão fazendo”, declarou Dib. As informações são da coluna Painel, da Folha de S.Paulo.