Circula no Brasil a nova subvariante da Ômicron da Covid-19, a B.Q1. Casos já foram identificados em São Paulo, Amazonas, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Contudo, mesmo com quadros se espalhando, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Europa (ECDC), não há evidências de que BQ.1 tenha uma maior gravidade da infecção do que outras variantes da ômicron. Já há registros de diagnósticos na Europa e nos Estados Unidos (EUA).
A primeira morte dessa variante confirmada pelo Ministério da Saúde no Brasil é de uma mulher de 72 anos que tinha comorbidades, e, de acordo com a prefeitura de Diadema (SP), ela não tomou nenhuma das quatro doses da vacina recomendadas pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Especialistas afirmam que a nova variante tem sintomas semelhantes às anteriores e não é de maior gravidade. Mas as recomendações da Sociedade Brasileira de Infectologistas, divulgada em nota nesta sexta-feira (11), é de manter o esquema de vacinas atualizado, que protege contra essa nova subvariante, e principalmente para população mais vulnerável, como idosos e imunossuprimidos, continuar o uso de máscaras em ambientes fechados e distanciamento, se possível, em ambientes muito aglomerados.
O que é a BQ.1?
A BQ.1 está entre as mais de 300 sublinhagens da variante Ômicron que circula pelo mundo. Segundo OMS 95% dessas sublinhagens são descendentes diretas da BA.5. De acordo com o epidemiologista Ethel Maciel, “o que sabemos é que ela tem alta transmissibilidade, igualmente outros subtipos da variante ômicron e, até o momento, pelos dados de outros países, não é de maior gravidade” – explica.
A BQ.1 parece escapar mais facilmente da proteção das vacinas por conta da mutação na proteína spike que dificulta o reconhecimento e neutralização do vírus pelo sistema imunológico, contudo isso não significa que as vacinas não protegem, de acordo epidemiologista.
Quais sintomas?
Febres ou calafrios; tosse; falta de ar ou dificuldade para respirar; fadiga; dores musculares ou corpo; dor de cabeça; perda de paladar ou olfato; dor de garganta; congestão ou nariz escorrendo; náusea ou vômito; diarreia.
A infectologista Karen Mirna Loro Morejón, diretora da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI), explica: “Os sintomas são basicamente os mesmos. Mas, felizmente, não temos visto pacientes com gravidade. Temos visto casos mais leves, mais brandos, sem internações.”
As vacinas atuais continuam protegendo?
“Mesmo que tenha esse escape, ainda há proteção. As pessoas devem completar seus esquemas vacinais. Quanto mais gente imunizada, maior a proteção populacional. É assim que conseguimos manter as doenças com maior controle”, diz Morejón, que também é infectologista no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.
O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo, reforça que a vacina já provou que funciona, mas é preciso completar o esquema vacinal. “A vacina é muito importante para reduzir esse risco de gravidade, principalmente em relação às doses de reforço. Dose de reforço é fundamental para manter essa proteção adequada das vacinas”, afirma.

