Reunião de emergência sobre kit intubação é cancelada após Anvisa esquecer envio de email

    Estoques de medicamentos estão vazios e situação é crítica

    Foto: Fotos Públicas

    A reunião de emergência marcada para discutir, no domingo (21), a escassez de medicamentos para intubação de pacientes foi cancelada porque a Anvisa (Agência Nacional de Vigilência Sanitária) não enviou o email que deveria convocar e confirmar o horário do encontro, segundo representantes da indústria. As informações são da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo.

    Segundo a publicação, a conversa foi acertada verbalmente no sábado (20). Dela participariam diretores da agência, representantes do Ministério da Saúde, da indústria, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que representa os estados.

    Os participantes ficaram esperando o email de confirmação da reunião, ou mesmo um telefonema —que não chegou.

    O “cano” da Anvisa foi confirmado à Mônica Bergamo pelo Consasems e pelo Conass.

    O presidente do Sindicato da Indústria Farmacêutica do Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini, que representa 12 fabricantes de medicamentos, também confirmou o problema.

    Segundo ele, um dos diretores da Anvisa, Romison Mota, explicou que estava tudo marcado —Omas que a assistente dele não apertou o botão de “enviar” para que a mensagem chegasse ao email dos que deveriam participar da reunião.

    Mussolini não critica a agência, diz que o problema foi involuntário e faz questão de dizer que o diretor Romison Mota está empenhado em resolver o problema.

    A reunião foi remarcada para a terça (23).

    O Brasil vive uma crise de abastecimento de medicamentos usados para a intubação de pacientes com Covid-19 em UTIs.

    Estoques estão vazios e estados e municípios alertam que eles podem acabar em poucos dias.

    O Ministério da Saúde já requisitou medicamentos à indústria para abastecer o SUS. Os hospitais privados dizem que a medida pode piorar o problema, gerando desabastecimento em suas unidades.

    Segundo a Associação Nacional de Hospitais Privados, os medicamentos podem acabar em 48 horas em algumas instituições se o problema não for resolvido.