Vacinação colabora para consolidação do turismo cultural, avaliam especialistas

    Foi realizada na segunda-feira (22) a 12ª etapa do ciclo de debates sobre o retorno pós-pandemia do turismo histórico, civil e cultural

    Foto: Pedro França/Agência Senado

    O avanço da imunização contra a covid-19 contribui para a retomada do turismo e promove a economia criativa, sobretudo em ações relacionadas ao turismo cultural, tendo em vista a diversidade do país e a riqueza histórica presente em todas as regiões. Essa avaliação foi feita na segunda-feira (22) por especialistas, durante a 12ª etapa do ciclo de debates sobre o retorno pós-pandemia do turismo histórico, civil e cultural, promovidos pela Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) do Senado.

    Presidente da CDR e proponente do debate, o senador Fernando Collor (Pros-AL) disse que a diversidade do povo brasileiro e a riqueza de sua história habilitam o Brasil a um turismo vibrante e robusto. Ao ressaltar que o país detém 23 patrimônios históricos mundiais, entre eles as cidades de Brasília e Paraty, Collor destacou que o avanço da vacinação favorece a retomada do turismo. Ele também disse que este é o momento oportuno para se refletir sobre os desafios da ampliação do turismo cultural.

    Tendências recentes

    Coordenadora-geral de Destinos Inteligentes e Destinos Criativos do Ministério do Turismo (MTur), Bárbara Rangel disse que, com a pandemia, surgiram tendências interessantes que antes não eram vistas no setor, como a maior priorização pelos turistas das questões relativas a biossegurança, higienização e limpeza de ambientes, viagens de carro a destinos próximos, nômades digitais e priorização de destinos isolados e ao ar livre, viagens com família, passeios virtuais, viagens “de última hora” e exigência de testes de vacinação, entre outras.

    “Este é um cenário muito diferente dos últimos anos. O programa de retomada do turismo do Ministério do Turismo veio mitigar o efeito da pandemia. Houve também novas formas de incentivo para abertura de empresas, lançamento do selo de turismo responsável e seguro com mais de 20 mil empreendimentos, incentivo do turismo doméstico e de facilidade. O Brasil é um país muito rico em cultura. Temos 14 patrimônios históricos mundiais. E há vários tipos de turismo cultural, entre eles o cívico, o religioso, o místico, o esotérico, o étnico, o cinematográfico, o de games, o gastronômico, o enoturismo, o ferroviário e, por fim, o turismo criativo, feito por pessoas que querem viver experiências criativas em diversos campos. O turismo cultural é a melhor forma de promover a nossa forma de viver e ter um papel educativa”, afirmou ela.

    Entre as ações principais em favor do turismo cultural implantadas pelo ministério, Bárbara citou a implantação do Caminho dos Jesuítas; a consolidação do turismo cívico em Brasília, já considerada a oitava cidade mundial mais “instagramável”; a criação do Programa Nacional de Turismo Gastronômico; e a formação da rede brasileira das cidades criativas.

    Novo olhar    

    Secretária de Turismo do Distrito Federal (Setur/DF), Vanessa Mendonça declarou que o governo local trabalha sob um novo olhar do turismo, como forma de ressignificar a cidade em prol de novas atividades turísticas que contemplem todo tipo de viajante. Segundo ela, Brasília hoje é um polo para o desenvolvimento da economia criativa no Brasil, sobretudo nos setores de cinema, artesanato, design e astronomia, entre outros. Vanessa disse ainda que o governo local está investindo no turismo cívico e pedagógico e no lançamento de rotas turísticas — como a rota da cultura, a rota da diversão, a rota do cerrado, a rota cívica, a rota arquitetônica, a rota náutica, a rota religiosa, a rota do enoturismo, a rota rural, a rota dos ipês e a rota do cavalo.

    Sítios arqueológicos

    Superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/AL), Melissa Mota Alcides ressaltou que existem outras possibilidades de turismo em Alagoas que vão além das praias, como o programa relacionado ao complexo arqueológico no semiárido na comunidade de Nova Esperança, no município de Olho D’Água do Casado. Ela disse que o programa está aliado à preservação de sítios arqueológicos, com o envolvimento da comunidade local na valorização do patrimônio cultural. A ação contribui, segundo Melissa, para a geração de emprego e renda em uma localidade com índices de desenvolvimento muito baixos.

    Fortalecimento dos museus

    Chefe do Núcleo de Relações Institucionais do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Carla Janne Farias Cruz declarou que o turismo, enquanto estímulo à economia local, deve ser fomentado, e que as instituições museais precisam ser fortalecidas, tendo em vista a falta de previsibilidade orçamentária e o número insuficiente de profissionais para atuação no setor.

    Carla destacou que os museus investiram em programas virtuais durante a pandemia e vários reabriram em outubro com a adoção de protocolos de segurança. Ela informou que o Ibram mantém 30 museus sob sua administração, majoritariamente na região Sudeste, que preservam mais de 290 bens culturais, reúnem mais de 1.300 profissionais e receberam 1,5 milhão de visitantes em 2019. No geral, o Brasil conta com 3.879 museus cadastrados, que reúnem mais de 70 milhões de bens culturais do país.

    Segundo Carla, o turismo cultural representa quase 40% do turismo mundial. Ela também disse que, entre março e abril de 2020, “no auge do confinamento mundial”, 95% dos museus permaneceram fechados, dos quais até 13% podem não voltar a reabrir.

    Sustentabilidade

    Diretor artístico da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Mauro Munhoz afirmou que a sustentabilidade do turismo é uma questão fundamental para o setor.

    “A grande questão é justamente olhar para o turismo de uma forma em que ele não seja predatório. O turista se atrai por destinos que ganham atração por determinados valores. E, muitas vezes, se não há uma articulação de diversas instituições governamentais e não governamentais com representantes e habitantes locais desses destinos, há uma grande chance de o turismo erodir os valores que são a razão própria dos atrativos”, disse.

    Munhoz disse ainda que a Flip inovou no sentido de ser uma manifestação cultural em torno da literatura e das artes, e não em torno do mercado do livro e dos produtos culturais, que também são atividades importantes.

    Lei Rouanet

    Antes de encerrar o debate, Fernando Collor destacou que a Lei Rouanet (Lei 8.313, de 1991) encontra-se em plena vigência. Ele afirmou que essa lei vem sendo utilizado, desde então, para a melhoria do padrão cultural e artístico do país, além de contribuir, por exemplo, para a requalificação da cidade de Paraty para que  ela pudesse dar sustentação à Flip.

    Da Agência Senado