Vilas-Boas critica Anvisa por dificultar uso da Sputnik V e espera intervenção do STF

    Secretário estadual de Saúde cobra autorização para aplicação de 2 milhões de doses do imunizante que devem chegar à Bahia em abril

    Foto: Matheus Morais/bahia.ba

    O secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, afirmou nesta terça-feira (23) ter expectativa que o STF (Supremo Tribunal Federal (STF) intervenha para autorizar o uso da vacina russa contra a Covid-19 Sputnik V no país. A aplicação depende de aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que, na avaliação do secretário, tem atuado para dificultar o processo. Uma remessa de 2 milhões de doses do imunizante deve chegar ao estado no mês de abril.

    “A aplicação depende da autorização da Anvisa. Eu preciso que a Anvisa autorize. A Anvisa não autoriza, está sentada em cima do processo aprovatório. A cada hora pede mais documentação. Lamentavelmente, a Anvisa está muito mal conduzida, tem um diretor com viés político, um militar, almirante, enquadrado, submisso ao presidente. Lamentavelmente, a Anvisa está indo pro buraco junto com várias outras coisas do nosso país, infelizmente. Se a Anvisa não aprovar, a gente não vai poder aplicar”, disse Vilas-Boas em um comunicado divulgado por sua assessoria.

    Vilas-Boas, no entanto, diz ter confiança de que o Supremo emita autorização para o uso das vacinas caso a Anvisa se recuse a fazê-lo. “Se a Anvisa não aprovar, o STF passa por cima e enquadra ela”, diz.

    Segundo o secretário, apesar do impasse, não há risco de o estado perder a carga da vacina, já que Sputnik V tem validade de dois anos. “Conservada adequadamente, não tem problema, isso não nos preocupa”, explicou.

    O governo baiano anunciou na semana passada a aquisição de 9,7 milhões de doses do imunizante. O acordo faz parte de uma negociação do Consórcio Nordeste com o Fundo de Investimentos Diretos da Rússia, que fornecerá 37 milhões de doses ao Brasil.