O prazo final para o pagamento da primeira parcela do 13º, um dos valores mais esperados pelos trabalhadores assalariados, termina nesta quarta-feira (30). O benefício é um direito assegurado a quem é empregado sob as regras da CLT e pode dar ao trabalhador mais fôlego para o fim do ano, se usado de forma consciente. Em entrevista ao bahia.ba, o economista Antônio Carvalho explicou como não cair em golpes e deu dicas de como utilizar a renda de maneira mais proveitosa e consciente de acordo com cada necessidade.
Pagamento de dívidas
De acordo com Antônio, “esse dinheirinho extra tem como função essencial, atender as necessidades (e desejos) do final de ano, época de festejar o final de um ciclo e início de um novo, celebrar, presentear (aos outros e a si mesmo). No entanto, a maioria dos brasileiros chegam ao final do ano endividado, sendo obrigado a usar o 13º para pagar dívidas acumuladas ao longo do ano”, disse.
Se você é uma dessas pessoas, que precisa usar este salário extra para pagar dívidas, o economista aconselha para: “primeiro, por estar com dinheiro, use o poder de negociação com o credor (administradora, banco, financeira), preferencialmente busque um serviço de defesa ou apoio do consumidor para garantir uma negociação justa. Buscar ao máximo a exclusão de juros e multas é importante para obter a maior economicidade possível”.
Uma das dúvidas mais recorrentes para quem tem essa finalidade com o valor recebido é se deve quitar o valor total da dívida ou negociar? Nesse sentido, ele explica que não há uma resposta exata, a melhor opção é aquela mais vantajoso e possível para a pessoa. “Se o valor disponível for suficiente para quitar a dívida, geralmente é mais vantajoso, pois, possibilita melhores negociações, porém, se a dívida for maior que o dinheiro disponível, uso o valor para amortizar (dar uma boa entrada) e negociar o restante em parcelas suaves que caibam no seu orçamento nos próximos meses”, diz Antônio, que alerta ainda para ter cuidado para “não cair em tentação de pagar uma entrada mínima e negociar parcelas que fiquem elevadas e gerem aperto nos meses seguintes”.
Comprar
O comércio é um dos setores que mais têm retorno nessa época. Neste ano, o pagamento do 13º deve injetar R$ 250 bilhões na economia do país, sendo, só na Bahia, cerca de R$10,5 bilhões, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
Ciente desse dinheiro extra circulando, todo o comércio se prepara para tentar conquistar um ‘pedaço do bolo’ com promoções e campanhas publicitárias intensificadas neste período. De acordo com o economista, mesmo se você for um um privilegiado (a) que não tem dívidas e pode usar o 13º para ir as compras, é importante ficar atento e se questionar: “Eu preciso do quê?, o que é prioridade?, isso é necessário?, tenho que comprar isso agora? São perguntas que o consumidor deve fazer antes de fechar uma compra e gastar seu precioso salário. Comprar sim, atender a necessidades e até alguns desejos (ninguém é de ferro) sim, porém, é importante que essa compra seja racional, consciente para não gerar arrependimento de uma compra por puro impulso, pura tentação”.
Por fim, o economista frisa que “celebrar, comemorar, presentear, fazem muito bem, porém, é preciso cuidar para que depois das festas não venham o arrependimento, o endividamento e o aperto para todo o novo ano”.
Economia baiana
De acordo com o Dieese, o pagamento deve injetar R$10,5 bilhões na economia baiana. O número é 4,2% do total do Brasil e cerca de 26,8% do montante da região Nordeste. A média de valor por pessoa é de R$2.066,48. O número de pessoas que devem receber o benefício no estado é de 4,7 milhões, ou seja, 5,4% do total no país e 26,8% em relação ao Nordeste.
Entre os segmentos no estado, empregados formalizados somam 64,2%, cerca de R$6,7 bilhões, beneficiários do INSS aparecem com 35,8%, cerca de R$3,8 bilhões.

