Ações de varejistas caíram 59,3% na bolsa B3 nos últimos 24 meses

    Confederação do Comércio atribui desvalorização ao nível de vendas e ao cenário monetário apertado; previsão para alta do PIB deste ano foi cortada de 0,9% para 0,6%

    Imagem: Reprodução/ Fecomércio-BA

    Nos últimos 24 meses, as ações de empresas do varejo listadas na bolsa de valores brasileira B3 caíram 59,3%. Em 12 meses, a desvalorização ficou em 21,4%. As informações são de um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que atribui este resultado ao nível de vendas pouco acima ( (3%) do registrado antes do começo da Pandemia de Covid-19 e também ao cenário econômico apertado.

    “É importante considerar o elevado grau de comprometimento da renda com dívidas por parte das famílias, o que desestimula uma expansão significativa do consumo”, acrescenta o presidente da CNC, José Roberto Tadros. O conjunto deste fatores fez a entidade reduzir a previsão de crescimento do PIB do setor neste ano de 0,9% para 0,6%.

    A confederação avalia que há expectativa de redução dos juros básicos apenas a partir do terceiro trimestre, mantendo a taxa média no mercado elevada até o fim do ano. Além disso, mesmo com a tendência de desaceleração da inflação, alta do emprego e valorização do salário mínimo em 3%, a estimativa para a economia brasileira persegue desde maio do ano passado abaixo de 1% do PIB.

    O economista da CNC Fabio Bentes analisa que os entraves do setor têm origem na deterioração do cenário a partir do esgotamento do ciclo de consumo de bens duráveis em 2021. O segmento é mais dependente de crédito. “A tentativa de neutralização das pressões inflacionárias por meio de uma política monetária mais restritiva aplicada no início de 2021 elevou os juros cobrados na ponta de empresas e consumidores, colocando-os em patamares que o setor não via desde agosto de 2017”, observou.