O mês de agosto começou com um selloff global que reflete um movimento de aversão a risco por parte de investidores diante da avaliação de perspectiva maior de recessão na economia americana, de acordo com informações do portal Bloomberg Línea.
No Brasil, o Ibovespa (IBOV) sofreu impacto inicial limitado e caiu 0,46% nesta segunda-feira (5). O índice de referência do mercado doméstico já havia, de certa forma, se descolado do cenário de recordes sucessivos em Nova York e de alta em outras bolsas nos últimos meses, em meio à percepção de risco maior macroeconômico (monetário, fiscal e cambial) e diante do cenário externo.
Apesar de ganhos em julho, impulsionados por papéis cíclicos e por uma safra de balanços até o momento positiva, segundo os analistas, o índice segue no vermelho (-6,64%) no acumulado do ano.
Nesse contexto, empresas de petróleo, como Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3), bancos, caso do Itaú Unibanco (ITUB4), e saneamento, a Sabesp (SBSP3), estão entre os citados por analistas segundo a carteira compilada pela Bloomberg com as recomendações de 12 bancos e corretoras para investimento em agosto.
Em relatório a clientes, o time de equity research do BB Investimentos disse esperar resultados consolidados positivos na temporada de balanços do segundo trimestre.
Os analistas – liderados por Victor Penna e Wesley Bernabé – estão mais atentos, principalmente, a setores e ações que têm apresentado altos níveis de earnings yield, “partindo da premissa de que eles tendem a capturar mais rápido o movimento atual de retomada do fluxo para a bolsa brasileira”.
Eles destacaram ainda a importância da diversificação do risco doméstico, dada a depreciação cambial mais recente. “Nesse sentido, companhias com perfil de assimetria entre receitas em dólares e custos em reais tendem a ter um desempenho superior no curto prazo.”
O time de equity research do BTG Pactual, por sua vez, avaliou que a iminente queda das taxas de juros nos Estados Unidos e quaisquer sinais significativos do governo brasileiro na direção da consolidação fiscal poderiam impulsionar as ações brasileiras.
A carteira de recomendações para agosto contou com a entrada das ações de Cyrela (CYRE3) e Vibra Energia (VBBR3).
As ações da incorporadora entraram nas recomendações da Ágora Investimentos, que citou a recente sanção da nova revisão da lei de zoneamento da cidade de São Paulo como fator que pode beneficiar a companhia.
No caso da Vibra Energia, analistas da Guide Investimentos escreveram em relatório que a inclusão da ação se deveu a um valuation mais baixo (que sofre menos em ambientes de juros altos) e também em razão de expectativa de melhora nas margens nos próximos trimestres.
A carteira compilada pela Bloomberg Línea para agosto reúne as recomendações de 12 corretoras, bancos de investimento e casas de análise: Ágora Investimentos, Ativa Investimentos, BB Investimentos, BTG Pactual, CM Capital, Empiricus Research, EQI Investimentos, Genial Investimentos, Guide Investimentos, RB Investimentos, Santander Corretora e XP Investimentos. E é composta pelas ações com mais menções.

