Bitcoin e ouro alcançam recorde no mesmo dia em movimento incomum nos mercados

    Ouro também atingiu pico de US$ 2.141,79 a onça-troy no mesmo dia, superando a máxima anterior estabelecida no início de dezembro

    Foto: Agência Brasil

    As cotações recordes de bitcoin (BTC) e ouro enviam sinais contraditórios sobre o apetite por risco nos mercados globais. A dobradinha de picos históricos da criptomoeda e do metal precioso na terça-feira (5) foi a primeira vez já registrada desde que o bitcoin emergiu das sombras há mais de uma década.

    Normalmente, fatores bem diferentes costumam impulsionar os dois ativos: o ouro é tido como uma reserva de valor segura há milênios, enquanto qualquer função do bitcoin além da especulação é fortemente contestada. As informações são do portal Bloomberg Línea.

    O bitcoin apresenta ganhos de quase 50% este ano, em uma alta puxada pelos fluxos positivos dos ETFs de bitcoin à vista recém-lançados nos Estados Unidos. A disparada do ouro, no entanto, pode ser interpretada como um posicionamento defensivo dadas as tensões geopolíticas e o recuo das ações globais depois de um rali que também bateu recordes.

    Uma explicação para a coincidência incomum está em considerar o comportamento de traders que seguem o impulso de curto prazo em todas as classes de ativos, segundo Chris Weston, chefe de pesquisa do Pepperstone Group.

    O ouro foi muito negociado durante a noite, os volumes foram enormes – recebi muitas ligações de clientes perguntando o que está acontecendo. Os traders estão comprando o impulso e é isso que estamos vendo também no bitcoin”, disse.

    Além disso, tanto o bitcoin quanto o ouro são vistos como beneficiários das expectativas de uma política monetária mais flexível. A moeda digital com maior valor de mercado subiu para um recorde de US$ 69.191,95 na terça-feira (5) – superando o pico que o token atingiu em novembro de 2021 durante a pandemia. O metal precioso subiu quase 5% nas últimas cinco sessões.

    O rali das criptomoedas “pode estar ligado ao que está acontecendo nos mercados de ações e à tomada de riscos mais ampla”, disse Kyle Rodda, analista de mercado sênior da Capital.Com.