Brasil encerrou 2022 com recorde de 77,9% das famílias endividadas

    Pesquisa Peic, da Confederação do Comércio, indica que o perfil da maioria dos endividados é formado por mulheres, jovens e pessoas com Ensino Médio incompleto

    Foto: reprodução/site do FGV Ibre

    O Brasil bateu o recorde de endividamento das famílias em 2022, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio. Balanço divulgado nesta quinta-feira (19), em entrevista coletiva, apontou que 77,9% das famílias estavam endividadas ao final do ano passado – alta de sete pontos frente ao ano anterior e 14,3 pontos, no comparativo com o período anterior à pandemia. O percentual registrado na semana passada é recorde na série histórica

    O perfil médio da pessoa endividada, segundo a Peic, é de uma mulher, com menos de 35 anos e Ensino Médio incompleto, moradora das regiões Sul ou Sudeste, cuja família recebe até 10 salários mínimos.  A Peic anual indicou que duas em cada 10 famílias com renda mais baixa comprometeram mais da metade da renda mensal para o pagamento das dívidas. Já entre aqueles com maiores salários, o índice cai pela metade.

    O presidente da CNC, José Roberto Tadros, explica que a pandemia reverteu a tendência de queda no endividamento que era registrada até 2019, especialmente entre os mais pobres. Em média, durante 2022, o brasileiro comprometeu 30% de sua renda no pagamento de atrasados.

    “Os efeitos perversos da pandemia, com o fechamento de negócios e o aumento do número de desempregados, e no pós-pandemia com o avanço da inflação, fez com que as famílias com rendas mais baixas precisassem recorrer ao crédito para manutenção do consumo de primeira necessidade”, afirmou o executivo.