Campos Neto diz que mudança pode indicar que meta fiscal foi abandonada

    Presidente do Banco Central afirmou, em evento em Nova York, que alteração do objetivo de zerar o déficit fiscal em 2024 também geraria muita incerteza

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    De acordo com uma reportagem do Metrópoles, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nesta quarta-feira (8), em um evento anual realizado pela gestora americana Valor Capital Group, em Nova York, nos Estados Unidos, que a mudança da meta fiscal vai gerar incerteza e os agentes financeiros podem pensar que o alvo “foi abandonado”.

    Segundo Campos Neto, ‘o mercado, em meio à incerteza, tende a aumentar o prêmio de risco’. Ele acrescentou que o custo de uma mudança da meta atenuaria eventuais benefícios da alteração. O tema ganhou destaque no noticiário nacional depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse no dia 27 de outubro, que “dificilmente” o governo conseguiria cumprir o objetivo de zerar o déficit fiscal em 2024. Lula observou que não deixaria de realizar investimentos que considera prioritários para cumprir a meta.

    Ainda segundo o Metrópoles, no evento em Nova York, Campos Neto repetiu que o Brasil passa por uma “desancoragem gêmea” nas expectativas fiscal e de inflação. “Se o mercado não acredita na meta fiscal também não acredita na meta de inflação, esses fatores andam juntos”, afirmou.

    O Metrópoles acrescenta que o presidente do BC observou ainda que os países emergentes precisam fazer “melhor o dever de casa” em função do aperto de liquidez global com taxas de juros mais elevadas. Campos Neto acrescentou que o Brasil teve surpresas positivas em relação ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e a agricultura desempenhou um papel importante nesse avanço. “Mas para o próximo ano muita gente espera um crescimento menor”, disse.