CGU identifica R$ 3,8 bilhões de pagamento indevido do Auxílio Brasil
Programa vigorou durante governo de Jair Bolsonaro

A Controladoria-Geral da União (CGU) publicou nesta segunda-feira (15) o relatório de auditoria que avaliou o Programa Auxílio Brasil, que vigorou entre 2021 e 2022, em substituição ao Bolsa Família, durante o governo de Jair Bolsonaro. De acordo com a apuração do órgão, o cruzamento de diferentes bases de dados aponta que 468 mil famílias fora do perfil de renda do programa receberam o benefício, entre janeiro e outubro de 2022, com pagamentos de mais de R$ 218 milhões por mês, totalizando cerca de R$ 2,18 bilhões no período avaliado.
“Dentre as famílias que tiveram rendimentos identificados pela equipe de auditoria nessas outras bases de dados governamentais, cerca de 75% possuíam membros que receberam benefícios na folha de pagamentos do INSS, enquanto cerca de 17% das famílias possuíam rendimentos registrados em GFIP [informações previdenciárias] no mês anterior à folha de pagamentos do PAB [Programa Auxílio Brasil] analisada”, diz o órgão.
Em outra análise, a CGU estima que falhas de controle no acompanhamento mensal de pagamentos, que deveria incluir procedimentos de atualização de informações sobre situação cadastral, pode ter gerado o pagamento indevido do Auxílio Brasil a cerca de 367 mil famílias, em média, por mês, no período de janeiro a outubro de 2022. A possibilidade de pagamento indevido é da ordem de R$ 171 milhões por mês, o que totaliza, no período, R$ 1,71 bilhão.
“Em relação a esse controle mensal da gestão dos benefícios, é necessário deixar claro que a verificação da renda familiar per capita feita pelo MDS [Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome] considera apenas os rendimentos informados, de forma autodeclaratória pelos próprios beneficiários, no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Diante da fragilidade das informações relacionadas a este Cadastro, os auditores da Controladoria avançaram na análise e avaliaram a renda familiar per capita das famílias do PAB a partir de outras fontes de informação, além do CadÚnico, com o objetivo de complementar a análise do controle mensal e verificar, de forma mais ampla, a eventual existência de famílias fora do perfil de renda do PAB”, explica a CGU.
Desde o início do ano, o programa social voltou a se chamar Bolsa Família. O valor mínimo de R$ 600 foi garantido após a aprovação da Emenda Constitucional da Transição, que permitiu a utilização de até R$ 145 bilhões fora do teto de gastos neste ano, dos quais R$ 70 bilhões estão destinados a custear o benefício. Além disso, foi instituído um pagamento do adicional de R$ 150, que começou a vigorar em março, após pente-fino no CadÚnico, a fim de eliminar fraudes. Em junho, começará o pagamento do adicional de R$ 50 por gestante, por criança de 7 a 12 anos e por adolescente de 12 a 18 anos.
Apesar das falhas identificadas, a CGU informou que a auditoria mostrou que o processo de migração das famílias do Auxílio Brasil para o Bolsa Família “ocorreu de forma adequada e sem indicativo de que tenham ocorrido prejuízos aos beneficiários ou ao erário”.
Com base na auditoria, a CGU indicou ao MDS, pasta responsável pelo programa de transferência de renda, a adoção de providências que constam de nove recomendações, incluindo a necessidade de reavaliação da situação das famílias que ingressaram no programa e que possuíam indicativo de impedimento ou de inelegibilidade.
A CGU também recomendou o estabelecimento de procedimentos que utilizem informações atualizadas de base de dados, além do CadÚnico, para aferição da renda das famílias candidatas ao programa, de forma a evitar que aquelas não enquadradas nos limites de renda sejam habilitadas ao recebimento do benefício.
Para receber o Bolsa Família, a principal regra é ter a renda mensal por pessoa de até R$ 218. A adoção das recomendações será monitorada pelo órgão de controle ao longo dos próximos meses.
Mais notícias
-
Economia11h56 de 03/07/2026
Presidente da FEC comemorou a entrega de 29 retroescavadeiras para consórcios públicos
Sivaldo Rios (PSD) também elogiou as medidas de Jerônimo (PT) para o município de Capim Grosso
-
Economia18h01 de 02/07/2026
Movimentação econômica de Salvador cresceu 3,2% em abril de 2026
O Índice avançou 2,7% em comparação com o mesmo mês no ano passado
-
Economia20h48 de 30/06/2026
Bahia se aproxima de 300 mil empregos CLTs, afirma secretário
Estado liderou geração de vagas no Nordeste em maio, segundo dados do Caged
-
Economia14h55 de 30/06/2026
Governo lança Plano Safra 2026/2027 com R$ 525,1 bilhões para o agro
Os recursos representam um crescimento de 1,7% em relação aos R$ 516 bilhões disponibilizados no Plano Safra 2025/2026
-
Economia08h02 de 30/06/2026
Receita Federal paga 2º lote da restituição do IR nesta terça-feira (30)
Ao todo, serão liberados R$ 16 bilhões para 9,58 milhões de contribuintes
-
Economia14h30 de 29/06/2026
Prazo para pagamento de TFF e ISS Autônomo em Salvador termina nesta terça (30)
Sefaz alerta para vencimento da cota única e da primeira parcela dos tributos municipais referentes a 2026.
-
Economia21h42 de 26/06/2026
Ministro Moretti diz que governo avalia elevar o limite do MEI
Proposta prevê aumento escalonado a partir de 2027
-
Economia11h29 de 26/06/2026
Desemprego no Brasil cai para 5,6%, menor nível da história
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (26) pelo IBGE
-
Economia11h32 de 25/06/2026
PIB do Nordeste cresce 8% em 2025 e se aproxima de R$ 2 trilhões
O PIB do ano passado na Bahia foi de R$ 495 bilhões
-
Economia10h25 de 25/06/2026
IPCA-15: Salvador registra queda no preço do café, diz IBGE
A prévia da inflação de junho em Salvador foi de 0,28%, menor do que o registrado do mês de maio (0,69%)










