CNI afirma que juros são ‘freio de mão’ da atividade econômica brasileira

    Em documento, entidade prevê alta geral do PIB de 1,2% em 2023, com variação de 0,1% na atividade industrial

    Foto: reprodução do site da CNI

    A indústria brasileira vai ‘crescer’ apenas 0,1% este ano, após avanço de 1,6% no ano passado. Toda a atividade econômica viabilizará uma alta do PIB de 1,2%, menos da metade dos 2,9% de 2022. As previsões foram divulgadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e estão no Informe Conjuntural – 1º trimestre de 2023. Para a entidade, os juros altos seguem como “freio de mão” da economia brasileira em 2023.

    O principal desafio, segundo a CNI, é o enfraquecimento da demanda, provado pelos juros, inadimplência e endividamento das famílias. O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explica que a queda na demanda já é percebida na queda do faturamento da indústria. “Observamos a redução da demanda, não apenas do consumidor final, mas entre empresas, como menor consumo de insumos industriais e bens de capital, por exemplo”, explica o economista.

    No documento, a CNI projeta que a taxa básica Selic começará a ser cortada a partir de agosto e, dai em diante, será reduzida de 13,75% anuais para 11,75%. Ao final do ano, o IPCA ficará em 6%. A expansão do PIB deve continuar sendo puxada pelo consumo das famílias.

    No setor industrial, a queda da confiança colocou os investimentos e as contratações em compasso de espera. “A indústria tem perdido fôlego, sufocada por uma série de disfunções, principalmente no sistema tributário. Quando a indústria vai mal, o Brasil perde, porque é a indústria que paga os melhores salários, desenvolve tecnologia e inovação”, ressaltou o presidente da CNI, Robson Andrade.