Em queda desde cedo, o Ibovespa (IBOV) acelerou a baixa perto do fim da manhã nesta quarta-feira (3), mesmo com as bolsas norte-americanas mirando alta, após a divulgação do índice de gerentes de compras (PMI) do setor de serviços dos EUA medido pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM), na sigla em inglês. Houve queda a 51,4 em março, ante previsão de 52,5. Antes, havia saído o mesmo indicador, só que da S&P Global, que ficou também acima de 50, zona de expansão, de acordo com informações do portal InfoMoney.
Os investidores ainda monitoram o recuo do minério de ferro, de 2,53% em Dalian, na China, e eventuais mudanças na Petrobras. Além disso, apesar da leve alta em NY, os mercados mantêm a cautela, antes do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) Jerome Powell, à tarde, na tentativa de encontrar Sinai de política monetária.
“O fato de os PMIs continuarem em expansão começa a assustar em relação a quando o Fed começará a cortar os juros. E vemos pressão no dólar, nos juros, trazendo risco ao Ibovespa, que pode romper o suporte dos 126 mil pontos”, avalia Diego Faust, operador de renda variável da Manchester Investimentos.
Ainda nos EUA, foi divulgada a pesquisa ADP de emprego. O setor privado dos EUA criou 184 mil empregos em março, acima da previsão, de 150 mil. Além disso, o dado de fevereiro foi revisado de 140 mil para 155 mil postos gerados. Os resultados podem elevar a dúvidas quanto ao início da queda dos juros americanos e ser um prenúncio de que o relatório do mercado de trabalho de março virá forte. O payroll sairá na sexta-feira (5).
Em meio a dados fortes de atividade, Monica Araujo, estrategista de Renda Variável da InvestSmart XP, reforça que fica a incógnita sobre o início da queda dos juros nos EUA. “Isso cria instabilidade, caso seja postergada. O dólar forte causa desequilíbrio, os juros futuros altos, e isso pode levar os bancos centrais a adotarem suas próprias trajetórias”, disse.
Ibovespa cai
Ao mesmo tempo, o mercado avalia a fraqueza da atividade brasileira em fevereiro ante janeiro, medida pela produção industrial. Hoje, em evento, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, fez questão de sublinhar que a resiliência em preços de serviços no mundo, não significa que o processo de desinflação esteja interrompido.

