CVM nega acordo da Caixa para encerrar processo sobre supostas fraudes em fundos

    Proposta de acordo de R$ 1 milhão da CEF e de Marcos Roberto Vasconcelos para evitar processo por manipulação de dados

    Foto: Divulgação/CVM

    A proposta de acordo no valor de R$ 1 milhão da Caixa Econômica Federal (CEF) e de Marcos Roberto Vasconcelos, ex-vice-presidente de gestão de ativos do banco, para encerrar um processo que apura suposta prática de manipulação de preços de ativos, foi negado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

    O processo foi instaurado a partir de fiscalizações realizadas em quatro fundos de investimentos em participações (FIPs) sob administração e gestão da Caixa: FIP Cevix, FIP OAS-E, FIP Sondas e FIP Operações Industriais. Esses mesmos fundos foram alvos da Operação Greenfield, da Polícia Federal (PF), e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos fundos de pensão.

    No caso do FIP Cevix, por exemplo, a operação tem relação com investimentos da fundação de pensão da Caixa (Funcef). Segundo a área técnica da CVM, foram “arquitetadas” irregularidades para induzir e manter a Funcef e seus participantes “em erro, com a finalidade de obtenção de vantagem de natureza econômica em favor do Grupo Engevix”.

    A Superintendência de Supervisão de Investidores Institucionais (SIN) da CVM propôs a responsabilização da Caixa pela prática de operações caracterizadas, em tese, como fraudulentas. A SIN propôs ainda a responsabilização de Vasconcelos também pela prática supostamente fraudulenta.

    A Caixa ofereceu R$ 1 milhão para encerrar o processo, enquanto Marcos Roberto Vasconcelos propôs pagar R$ 80 mil e não exercer atividades nos mercados regulados pelos próximos dez anos. A Procuradoria Federal Especializada (PFE) concluiu, porém, existir impedimento para a celebração dos acordos, uma vez que os prejuízos não foram indenizados.

    O caso tem outros sete acusados, que não apresentaram proposta de acordo para a autarquia.