De Microsoft à Amazon: gastos com IA ganham os holofotes em balanços de big techs

    Diante de selloff no setor de tecnologia, resultados são aguardados em meio temores de que gastos tenham se tornado altos em relação aos retornos de curto prazo

    Reprodução: Redes sociais

    A forte rotação setorial na bolsa fez com que o Nasdaq 100 caísse 8% em pouco mais de duas semanas, deixando o índice à beira de uma correção. Se ele conseguirá evitar isso provavelmente dependerá dos balanços de um pequeno grupo de empresas que, juntas, valem quase US$ 10 trilhões, de acordo com informações do portal Bloomberg Línea.

    Em uma semana que também terá a decisão de juros do Federal Reserve, os investidores se concentrarão principalmente nos resultados da Microsoft (MSFT) na terça-feira (30), seguidos pela Meta (META), Apple (AAPL) e Amazon (AMZN) nos dois dias seguintes.

    As apostas já eram altas depois que uma recuperação no primeiro semestre deixou as ações de big techs com altos preços de tela e valuations esticados.

    Elas se tornaram críticas, contudo, depois que os resultados da Alphabet (GOOGL) na semana passada levantaram a preocupação de que os gastos com inteligência artificial tenham se tornado muito altos em relação aos retornos de curto prazo.

    “Esses balanços são realmente importantes. Se essas empresas não conseguirem superar as expectativas, acho que a interpretação é que a IA não está produzindo os resultados esperados”, disse Michael O’Rourke, estrategista-chefe da Jonestrading.

    Os números trimestrais chegam em um mercado agitado por uma das mais rápidas e acentuadas rotações dos últimos anos. Os investidores têm ficado mais cautelosos em relação às empresas que estão na vanguarda da IA, depois de ignorarem por meses os avisos de que o rali estava se estendendo demais.

    Eles venderam um total de US$ 2,6 trilhões do Nasdaq 100 e investiram em ações que há muito tempo estavam atrasadas, incluindo pequenas empresas e aquelas do setor financeiro e industrial.

    A rotação para setores cíclicos do mercado começou depois que dados de preços de junho mostraram um arrefecimento da inflação, alimentando as apostas de que o Fed cortará as taxas de juros já em setembro.

    O Russell 2000 deu um salto de 10% desde então, enquanto as empresas financeiras e industriais do S&P 500 subiram mais de 3,5%. Os investidores terão pistas sobre possíveis cortes quando o Fed divulgar sua decisão de política monetária na quarta-feira (31), que será seguida por um discurso do presidente Jerome Powell.

     

    Big techs testam sentimento

    O primeiro teste será a Microsoft. A gigante de software vem integrando serviços de IA em seu portfólio e gastou muito para aumentar a capacidade do data center.

    No terceiro trimestre fiscal da empresa, encerrado em março, a Microsoft investiu US$ 11 bilhões em despesas de capital. A projeção é de que esse número aumente para mais de US$ 13 bilhões no quarto trimestre fiscal.

    A Meta, que divulga seu balanço na quarta-feira (31), e a Amazon, que publica seus números trimestrais na quinta-feira (1º de agosto), também gastaram muito, e os investidores buscarão sinais de que a IA está contribuindo para um aumento da receita.

    As ações da Apple subiram 32% em relação à baixa de abril devido ao otimismo sobre os planos da empresa de integrar serviços de IA em seus iPhones. Os investidores também vão buscar detalhes quando a empresa apresentar seu balanço na quinta-feira.

    “Há preocupações crescentes de que o retorno sobre o investimento de gastos pesados com IA esteja mais distante ou não seja tão lucrativo quanto se acreditava, e isso está repercutindo em toda a cadeia de semicondutores e em todas as ações relacionadas à IA”, pontuou James Abate, diretor de investimentos da Centre Asset Management.

    O selloff está aumentando entre algumas das ações de IA que mais sobem no ano. A Nvidia (NVDA), que está na vanguarda do setor, caiu 17% em relação ao recorde de alta registrado em 18 de junho, quando ultrapassou a Microsoft e a Apple para se tornar brevemente a empresa mais valiosa do mundo.

    A Dell (DELL), que fábrica servidores usados em data centers, caiu 37% em relação ao pico registrado em maio. Já a rival Super Micro Computer caiu 40% desde março.

    As seis maiores ações de tecnologia dos EUA foram responsáveis pela maior parte do avanço de 14% do S&P 500 no primeiro semestre.

    Os valuations dispararam, com o S&P 500 atingindo sua maior relação preço/lucro projetado desde 2002 no início deste mês.

    “As grandes empresas de tecnologia foram precificadas com perfeição e foram responsáveis por quase todos os ganhos do mercado, o que apenas ressalta a vulnerabilidade do grupo”, ressaltou Abate.