Do jeito que está é melhor não ter reforma, prega presidente do Insper

    Marcos Lisboa cita a capitalização da Eletrobrás e as mudanças no IR como alterações que podem custar caro

    Foto: divulgação Insper

    O presidente do Insper, Marcos Lisboa, defendeu em entrevista à revista Exame que do jeito que as propostas estão apresentadas é melhor para o país não haver reforma alguma. “As reformas estão piorando o quadro”, afirmou o economista, citando os casos do setor elétrico e do imposto de renda.

    “A (proposta) do imposto de renda é muito ruim e aumenta as distorções. Ela deveria atender dois princípios básicos: quem ganha igual paga igual, e quem ganha mais paga mais. Não é isso que essa reforma faz. Ela preserva o privilégio de vários prestadores de serviços no regime de lucro presumido”, disse Lisboa.

    Para o economista, que foi secretário de Política Econômica no primeiro governo Lula (2003-2006) e vice-presidente do banco Itaú, há mudanças ruins que podem custar caro ao país. Sobre o setor elétrico, Marcos Lisboa assinalou que houve uma fragilidade das agêncais reguladoras.

    “Há uma degradação institucional e uma dificuldade crescente de fazer uma política econômica coerente no Brasil” , disse Lisboa. Para o economista, a conjuntura atual agrava o cenário, mas há problemas estruturais desde o fim dos anos 70.

    “Independentemente do governo, toda vez que se tenta reduzir essas distorções, parte do setor privado se opõe. Temos grupos organizados que se beneficiam desse Estado disfuncional. As pessoas cobram ‘tem de fazer reforma tributária’, mas elas reagem ‘não podem cortar meu benefício tributário'”, acrescentou o presidente do Insper.