Dólar hoje recua mais de 1% após fala de Powell em Jackson Hole

    Na véspera, dólar comercial fechou com baixa de 1,98%, a R$ 5,589 na compra e na venda

    Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

    O dolar opera com forte baixa perante o real nesta sexta-feira (23), revertendo boa parte dos ganhos registrados na véspera, com repercussão dos comentários do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole, de acordo com informações do portal InfoMoney.

    Powell afirmou que “chegou a hora” de o banco central dos Estados Unidos (EUA) cortar sua taxa de juros, uma vez que os riscos crescentes para o mercado de trabalho não deixam espaço para mais fraqueza e a inflação está a caminho de alcançar meta de 2%, oferecendo um apoio explícito para o afrouxamento da política monetária.

     

    Qual a cotação do dólar hoje?

    O dólar comercial operava com baixa de 1,05%, a R$ 5,530 na compra e R$ 5,531 na venda. O dólar futuro de primeiro vencimento (DOLc1) caía 0,54%, indo a 5.577 pontos.

    Na quinta-feira, o dólar à vista fechou em alta de 1,96%, cotado a R$ 5,5899.

    O Banco Central (BC) fará nesta sessão leilão de até 12.000 contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1º de outubro de 2024.

     

    Dólar comercial

    Compra: R$ 5,530

    Venda: R$ 5,531

    Dólar turismo

    Compra: R$ 5,626

    Venda: R$ 5,806

     

    O que aconteceu com o dólar hoje?

    A divisa americana acelerou as perdas na sessão de hoje, após o discurso do presidente do Fed, enquanto o iene liderou os ganhos entre as principais moedas depois que o governador do Banco do Japão (BOJ), Kazuo Ueda, reafirmou sua posição agressiva.

    “Os riscos de alta para a inflação diminuíram. E os riscos de queda para o emprego aumentaram”, disse Powell em discurso no simpósio anual do Fed de Kansas City em Jackson Hole, no Estado norte-americano de Wyoming.

    “Chegou a hora de ajustar a política. A direção a ser seguida é clara, e o momento e o ritmo dos cortes nos juros dependerão dos dados que chegarem, da evolução das perspectivas e do equilíbrio dos riscos”, ressaltou.

    Referindo-se às duas metas que o Fed é encarregado pelo Congresso de atingir, Powell disse que sua “confiança cresceu de que a inflação está em um caminho sustentável de volta para 2%”, depois de ter subido para cerca de 7% durante a pandemia da Covid-19, enquanto o desemprego está aumentando.

    Para Étore Sanchez, economista da Ativa Investimentos, o discurso do presidente do Fed veio conforme o esperado e oficializou o início do afrouxamento monetário para setembro. “Com um tom dovish, a autoridade afirmou que o corte está praticamente garantido devido à fraqueza no mercado de trabalho.”

    Diferente do esperado, segundo Sanchez, a autoridade não buscou manter o mercado em -25bps, alegando que o ritmo dos cortes dependerá dos dados, com destaque para o payroll de 6 de setembro.

    “No final das contas, os reflexos do discurso acomodatício estão tendo um grande impacto sobre os ativos e, consequentemente, reduzindo a perspectiva de que o Banco Central, por aqui, possa iniciar um ciclo de alta de juros”, disse o economista da Ativa.