‘Eu desafio o governo a privatizar’, afirma ex-auxiliar de Paulo Guedes

    Em entrevista, Salim Mattar afirmou que discurso liberal era eleitoral e criticou mudança na direção da Petrobras

    Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

     

    Primeiro secretário de Desestatização do Ministério da Economia, o empresário Salim Mattar afirmou em entrevista à CNN Brasil que o liberalismo pregado pelo governo era apenas eleitoral. “”O governo não é liberal e eu acreditei no candidato Bolsonaro”, disse. “Eu desafio o governo a privatizar. É um desafio ao presidente, ao ministro Guedes e ao establishment”.

    Segundo o ex-auxiliar do ministro Paulo Guedes, não há disposição nem do Executivo nem do Congresso para enxugar a máquina do estado. “Eu deixei todos os meus negócios para ir para o governo. Fui motivado pelo desafio espetacular, que era um projeto de Brasil e não do governo”.Sobre Bolsonaro, o executivo lembra que o então candidato falava em vender a “TV da Dilma (Rousseff, ex-presidente” e a empresa do Trem Bala, mas as vendas da EBC e da EPL não saíram do papel, bem como a da Eletrobrás.

    Petrobras

    Sallim Mattar comentou também sobre a mudança na Petrobrás. Na sexta-feira, o presidente da República cumpriu a ameaça feita na véspera e indicou o general Joaquim Silva e Luna para presidir a Petrobras, em lugar de Roberto Castello Branco. “No mínimo, faltou respeito, elegância e consideração com o Castello Branco. Não é assim que ocorre com a iniciativa privada. Isso é coisa governo autoritário e truculento.Imagina o presidente da Petrobras saber por uma live que foi demitido. Isso é um absurdo”.

    O ex-secretário avalia que “estamos militarizando demais o país. O militar é para quartel. Temos que colocar um homem de mercado na Petrobras. Um homem que saiba o que é um departamento de relações com os investidores”. Luna e Silva estava na direção da usina de Itaipu. A gestão nesta empresa é o argumento do governo para a indicação, mas não é da área de Óleo e Gás.

    A troca na direção da Petrobras ainda terá que ser aprovada pelo Conselho de Administração da companhia, que tem reunião que já estava agendada para a terça-feira (23). Na sexta-feira, a queda de 7,92% nas ações fez a Petrobras perder R$ 28 bilhões em valor de mercado. Consumada a intervenção do Planalto, analistas projetam um declínio de R$ 100 bilhões.