A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) publicou, nesta sexta-feira (10), nos principais jornais do país, o manifesto “A Praça é dos Três Poderes”.
Assim como nas primeiras versões, a carta não cita nominalmente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), nem qualquer outro chefe de Poder. No texto, a entidade das indústrias ressalta que a mensagem “não se dirige a nenhum dos Poderes especificamente, mas a todos simultaneamente”.
“Mais do que nunca, o momento exige aproximação e cooperação entre Legislativo, Executivo e Judiciário”, argumentam os signatários em trecho do documento.
Assim como nas primeiras versões, o manifesto destaca que “o momento exige de todos serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o Brasil supere a pandemia, volte a crescer de forma sustentada e continue a gerar empregos”.
O texto é muito semelhante às versões que foram divulgadas ao longo da semana passada, depois que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal ameaçaram romper com a entidade que representa os bancos no país desde 1967.
O documento da Fiesp foi publicado um dia após o presidente Jair Bolsonaro divulgar uma “declaração à nação” onde recua dos ataques feitos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) durante os atos promovidos por apoiadores no feriado do 7 de setembro.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) não assinou o texto patrocinado pela indústria paulista.
Leia a íntegra do texto:
A representação arquitetônica da Praça dos Três Poderes expressa a independência e a harmonia entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Essa é a essência da República. O espaço foi construído formando um triângulo equilátero. Os vértices são os edifícios-sede de cada um dos Poderes.
Essa disposição deixa claro que nenhum dos prédios é superior em importância, nenhum invade o limite dos outros, um não pode prescindir dos demais. Em resumo, a harmonia entre eles tem de ser a regra. Esse princípio está presente de forma clara na Constituição Federal, pilar do ordenamento jurídico do país.
Diante disso, é primordial que todos os ocupantes de cargos relevantes da República sigam o que a Constituição impõe. As entidades da sociedade civil que assinam este manifesto veem com grande preocupação a escalada da tensão entre as autoridades públicas.
O momento exige de todos serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o Brasil supere a pandemia, volte a crescer de forma sustentada e continue a gerar empregos.
Esta mensagem não se dirige a nenhum dos Poderes especificamente, mas a todos simultaneamente, pois a responsabilidade é conjunta. Mais do que nunca o momento exige aproximação e cooperação entre Legislativo, Executivo e Judiciário. É preciso que cada um atue com responsabilidade nos limites de sua competência, obedecidos os preceitos estabelecidos em nossa Carta Magna. Esse é o anseio da Nação brasileira.

