Ibovespa fecha com 3ª queda seguida, após inflação no Brasil e PIB nos EUA

    Bolsas dos EUA fecham mistas, com Dow Jones em alta

    Reprodução: Patricia Monteiro/Bloomberg

    O Ibovespa (IBOV) fechou no negativo, com menos 0,37%, aos 122.954,09 pontos, uma perda de 468,64 pontos e menor patamar de fechamento desde o dia 3 de julho. O dólar comercial recuou 0,16%, a R$ 5,64, bem longe da mínima do dia (de R$ 5,61). E os juros futuros (DIs) tiveram mais um dia de amplas altas, ultrapassando os 12% nos vencimentos de 2027 em diante, de acordo com informações do portal InfoMoney.

    Um dos principais impulsionadores do dia foram os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de julho. A prévia da inflação oficial do país, voltou a desacelerar em julho, com alta de 0,30% ante junho, após ter subido 0,44% em maio e 0,39% no mês passado. Em 12 meses, a variação foi de 4,45%, acima dos 3,19% observados no mesmo período do ano passado e também maior que os 4,06% até junho. As leituras são acima do consenso LSEG de analistas, que previam inflação mensal de 0,23% e taxa anualizada de 4,38%.

    Mirella Hirakawa, coordenadora de pesquisa da Buysidebrazil, comenta que a composição também veio pior que a estimada, principalmente quando observadas as medidas de serviços subjacentes e a média dos núcleos. Embora o comportamento dos preços não deva mudar a decisão do Copom na semana que vem, a economista acredita que o BC deva comentar a composição pior da inflação em julho. Ela lembra que, no Relatório Trimestral de Inflação divulgado em junho, a projeção para o IPCA fechado de julho era de 0,12%. “A gente não sabe ainda o IPCA de julho, mas só essa divulgação do IPCA-15 já atribui um viés altista”, disse.

    “As medidas de tendência (núcleos) da inflação também registraram alta acima das expectativas, o que significa que, na margem, houve deterioração do quadro benigno da inflação corrente observado nos últimos meses”, segundo Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil.

    Leonardo Costa, economista do ASA, também destacou que o qualitativo do indicador veio bem pior que o esperado, especialmente em serviços, indicando a dificuldade da desaceleração dos núcleos de inflação. Já para o Santander (SANB11), mesmo com a inflação subindo mais do que o esperado, o cenário projetado não deve sofrer alteração porque a surpresa foi concentrada em itens bastante voláteis, não mudando drasticamente a dinâmica esperada da inflação. “A depreciação cambial recente é um fator de risco. Porém, nossa Pesquisa Empresarial indica baixa intensão de repasse por parte dos empresários. Esperamos que o IPCA termine o ano com alta de 4,1%”, projeta o banco em relatório.

    As medidas de tendência (núcleos) da inflação também registraram alta acima das expectativas, o que significa que, na margem, houve deterioração do quadro benigno da inflação corrente observado nos últimos meses.

    Além disso, em junho, 89,7% dos reajustes salariais superaram a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), estabelecendo a série mais longa de reajustes reais positivos desde junho de 2015, com 19 meses consecutivos de ganhos reais, conforme dados divulgados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Tais ganhos podem pressionar os preços.

    Nos Estados Unidos (EUA), o ativo seguiram patinando, após a derrocada de ontem. Os principais índices oscilaram e chegaram a apresentar fortes altas, com a divulgação da primeira prévia do PIB dos EUA no 2T24, que cresceu 2,8% em termos anualizados, mais forte do que o consenso LSEG de analistas, que previa uma evolução de 2%. Mas crescimento robusto só agradaria os investidores se viesse com uma queda consistente da inflação, agora que o próprio Federal Reserve ainda procura enxergar nos dados.