Ibovespa fecha com alta de 1,2% após decisão de juros nos EUA e à espera do Copom

    Bolsas nos EUA têm ganhos consistentes após decisão do Fed e sinalização de corte de juros em setembro

    Reprodução: Redes sociais

    O Ibovespa (IBOV) fechou com forte ganho de 1,20%, aos 127.651,81 pontos, um avanço de 1,5 mil pontos. Com isso, julho fechou com mais 3,02%, o segundo mês seguido no azul, depois do 1,48% de junho. O dólar comercial foi uma prova de que não foi só isso, já que acabou com ampla alta de 0,66%, a R$ 5,65. Os DIs (juros futuros) terminaram com baixas, de acordo com informações do portal InfoMoney.

    O Fed confirmou que manteve as taxas de juros inalteradas. Mas mudou o discurso. Primeiro, disse que a inflação está “um pouco elevada” e não mais “muito elevada”, como em junho. E afirmou também que está “atento” aos riscos para a inflação e par ao mercado de trabalho, enquanto em junho dizia estar “muito atento”. O progresso contra a inflação passou de “modesto” para “algum” progresso. E os riscos de desemprego e inflação estão “em melhor equilíbrio” e não mais “em direção” a um melhor equilíbrio. Mais do que isso, disse que um corte de juros chegou a ser discussão na reunião de hoje e que, unânimes em manter as taxas inalteradas, os participantes devem colocar na mesa a possibilidade em setembro, “se os dados permitires”, Jerome Powell, presidente da instituição, pontuou.

    “Seremos dependentes de dados. Não será uma questão de responder especificamente a um ou dois lançamentos de dados. A questão será: onde a totalidade dos dados, a evolução das expectativas e o equilíbrio de riscos são consistentes com o aumento da confiança e a manutenção de um mercado de trabalho sólido”, ressaltou Powell.

    Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, entende que, “apesar de não ser um comunicado exatamente dovish, há vários pontos de alívio na comunicação do Fed. Diria que não tem sinais de queda de juros em setembro nesse comunicado, ou seja, vai precisar de dados de inflação muito benignos à frente”, disse.

    “A nossa perspectiva é que, se os dados continuarem nessa trajetória positiva, veremos uma mudança de comunicação na reunião de setembro, com uma possível sinalização de um afrouxamento monetário no quarto trimestre deste ano”, pontuou Gustavo Sung, economista-chefe Suno Reserach.

    Vale (VALE3) esnobou a baixa do minério de ferro e subiu 2,34%, com um movimento que se viu desde a abertura do mercado.

    WEG (WEGE3) foi o nome do dia, com forte alta de 10,47%, após balanço do 2T24. Ebitda superou expectativas em 10%, enquanto analistas avaliam que deve haver revisões positivas para números da fabricante de motores elétricos.

    Enauta (ENAT3) se despediu da Bolsa de Valores, após fusão com a 3R Petroleum (RRRP3), com uma alta de 1,07%, e RRRP3 subiu 0,97%. Ambas também divulgaram seus resultados ontem, após o fechamento.

    Após um fluxo intenso de notícias, a Eletrobras (ELET3) publicou fato relevante anunciando que as negociações com Governo Federal para encerrar uma disputa no STF foram prorrogadas por mais 45 dias, diferentemente de outras rodadas que foram prorrogadas por 90 dias, “o que pode significar que o acordo está mais próximo”, disse JPMorgan. Eletrobras disparou 4,16%.

    E Embraer (EMBR3) também fechou julho com chave de ouro, com mais 2,24% hoje e mais 21,19% no mês – com futuro promissor.

    Usiminas (USIM5) volta a cair, agora com 1,74%, ainda com decepção dos resultados. E GPA (PCAR3) recuou 1,12%, após o varejista francês Casino não considerar mais uma participação estratégica e se dizer aberto a vender sua participação restante de 22,5% na empresa dona da bandeira Pão de Açúcar.

    No campo dos dados, o Brasil ainda teve mais uma boa notícia: a taxa de desemprego baixou ainda mais, para 6,9%.