Indústria de transformação física baiana tem queda em todos o cenários

    O segmento que mais apresentou queda foi o de veículos automotores (-50,2%)

    Foto: José Paulo Lacerda/CNI

    A produção física da Indústria de Transformação da Bahia registrou queda de 9,2% em junho de 2021, no acumulado de 12 meses, ocupando a última posição no ranking dos 14 estados que participam da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física – PIM-PF (PIM-PF).

    Cinco dos 11 segmentos analisados que apresentaram queda foi:

    • Veículos automotores (-50,2%);
    • Metalurgia (-20,1%);
    • Refino de petróleo e biocombustíveis (-17,9%);
    • Equipamentos de Informática (-9,9%) e Celulose e papel (-1,0%).

    Em sentido contrário, registraram crescimento os segmentos de Produtos Químicos (18,6%), Couro e Calçados (13,3%), Borracha e Plástico (12,9%), Bebidas (11,2%), Minerais não metálicos (4,1%) e Alimentos (1,4%).

    O gerente executivo de Desenvolvimento Industrial da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Marcus Verhine, atribui o fraco desempenho da indústria baiana à suspensão das atividades da Ford, que tinha uma participação importante nos dados regionais e também à parada para manutenção da Refinaria Landulfo Alves (RLAM). Em contraponto ele destaca os setores calçadista e a indústria química que registraram bom desempenho no período.

    Apesar dos dados apontarem queda no desempenho industrial baiano, Marcus Verhine acredita que a Bahia deve fechar o ano com um crescimento projetado do Produto Interno Bruto da ordem de 4,6%.

    JUNHO 2020 X JUNHO 2021

    Na comparação de junho de 2021 com igual mês do ano anterior, a produção física da Indústria de Transformação baiana caiu 8,5%, enquanto a indústria nacional cresceu 13,1%. Apresentaram retração os segmentos de Veículos automotores (-77,7%), Celulose e Papel (-52,5%), Metalurgia (-18,2%).

    O segmento de Refino de petróleo e biocombustíveis, que representa 31,0% do valor de transformação industrial (VTI) da Indústria de Transformação baiana, registrou queda expressiva de 13,1%. Outras quedas expressivas registradas na pesquisa foram nos segmentos de Minerais não metálicos (-11,1) e Bebidas (-7,7%).

    Na contramão destes resultados, registraram crescimento na produção os segmentos de Equipamentos de Informática (92,9%), Couro e Calçados (78,9%), Produtos Químicos (12,6%), Alimentos (9,4%), Borracha e Plástico (7,5%).

    ACUMULADO DE 2021

    No acumulado do primeiro semestre de 2021, a produção física da Indústria de Transformação baiana caiu 16,4% (maior queda entre os 14 estados), enquanto a indústria nacional cresceu 14,5%. A referida queda decorreu do resultado dos setores de Veículos automotores (-93,3%, encerramento da produção no complexo Ford Camaçari), Refino de petróleo e biocombustíveis (-37,4%, ocorrência de parada para manutenção que afetou a produção de óleos combustíveis, óleo diesel, naftas para petroquímica, parafina, gás liquefeito de petróleo), Metalurgia (-11,9%, barras, perfis e vergalhões de cobre e de ligas de cobre, ferromanganês e ouro em formas brutas para usos não monetários), Celulose e Papel (-6,2%, pastas químicas de madeira, processo sulfato, branqueadas ou não).

    Em sentido contrário, apresentaram crescimento: Couro e Calçados (46,7%), Borracha e plástico (27,3%), Produtos Químicos (20,0%), Equipamentos de Informática (11,3%), Minerais não metálicos (8,3%), Bebidas (7,5%) e Alimentos (0,6%).

    DESEMPENHO EM JUNHO

    A Indústria de Transformação baiana continua a registrar em junho o pior resultado do país, no acumulado de 12 meses (-9,2%) e no primeiro semestre de 2021 (-16,4%). Os referidos resultados estão sendo influenciados pelo encerramento das atividades do complexo Ford Camaçari, que anulou a produção do que se tratava o quinto maior setor industrial do estado, com 5,0% do VTI da Indústria de Transformação, bem como por parada para manutenção ocorrida na RLAM que provocou redução expressiva na produção do setor de refino na primeira metade do ano (31,0% do VTI da Indústria de Transformação baiana).