Inflação mais alta em maio reforça projeções de que Copom vai manter Selic

    Além do indicador principal ter vindo acima da mediana das projeções

    Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

    A aceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em maio e a análise da composição do indicador no mês reforçam a tendência de que o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompa na semana que vem o ciclo de queda de juros, segundo opinam economistas. Além do indicador principal ter vindo acima da mediana das projeções, a piora em alguns núcleos e a manutenção das incertezas no cenário externo contribuem para essa projeção, de acordo com informações do portal InfoMoney.

    “Tivemos surpresas altistas principalmente em alimentação e também em energia elétrica. Eu destacaria que foi uma leitura um pouco mais desafiadora na margem”, disse Alexandre Maluf, economista da XP.

    Além disso, os serviços intensivos em mão de obra seguem rodando em torno de 6%, com um leve alívio na margem. “Enfim, o IPCA trouxe uma mensagem marginalmente pior na sua composição”, ressaltou.

    Claudia Moreno, economista do C6 Bank, afirmou que o resultado de maio foi puxado, principalmente, pelos preços dos alimentos, impactados pelos efeitos da chuva no Rio Grande do Sul, grande produtor de grãos, como arroz, soja e milho.

    Mas ela lembra que não foram só os alimentos que pesaram no IPCA de maio. “A inflação de serviços e de bens industriais também vieram pior do que o esperado. A inflação de serviços subjacentes, aquela que é acompanhada mais de perto pelo Banco Central, acumula uma alta de 4,8% em 12 meses e segue sem sinais de desaceleração”, disse.

    A economista afirma que a resiliência da inflação de serviços corrobora a visão de que não há mais espaço para o Banco Central cortar juros neste ano. “Com a piora contínua das expectativas de inflação medidas pelo Boletim Focus e depreciação recente do câmbio, acreditamos que o Copom interromperá o ciclo de cortes de juros na reunião da próxima semana”, pontuou.

    O C6 Bank projeta uma alta de 4,7% para o IPCA de 2024 e taxa Selic estável em 10,5% até o final do ano.

    André Valério, economista sênior do Inter, é ouro especialista a destacar a aceleração nos núcleos, que saiu de 0,26% em abril para 0,39% em maio. “Em 12 meses, a média dos núcleos acelerou na margem, saindo de 3,53% para 3,55%. Além disso, a inflação de serviços também acelerou, saindo de 0,05% em abril para 0,4% em maio”, disse.

    Valério afirma que, de modo geral, foi um resultado quantitativamente e qualitativamente ruim para o IPCA, que reforçará a postura de cautela do BC. “De positivo, o resultado trouxe apenas a estabilidade na variação dos núcleos em 12 meses e do indicador de difusão. Sendo assim, esperamos que o Copom mantenha a taxa de juros nos atuais 10,5% pelas próximas reuniões e uma inflação oscilando ao redor de 4%, que é nossa estimativa para 2024.”

    Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, pondera que os dados recentes de inflação, apesar de majoritariamente positivos, são permeados por movimentos que merecem ser observados com atenção e não permitem o afrouxamento adicional da política monetária neste momento.

    “Diante dos movimentos recentes em curso e de uma demanda aquecida sobre o amplo conjunto de bens e serviços, a manutenção da taxa de juros em terreno significativamente contracionista é absolutamente necessária. Nesse contexto, espaços para cortes adicionais na Selic são cada vez menores”, disse.