Ipea reduz previsão de inflação em 2022 de 6,6% para 5,7%

    Esta é a segunda redução do ano

    Foto: José Cruz/Agência Brasil

    O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) reduziu a previsão da inflação brasileira em 2022 pela segunda vez no ano. A variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 6,6% para 5,7%, já a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) recuou de 6,3% para 6,0%, segundo nova pesquisa divulgada nesta quinta-feira (29).

    Elaboração: Grupo de conjuntura da Dimac/Ipea
    Elaboração: Grupo de conjuntura da Dimac/Ipea

     

    Elaboração: Grupo de conjuntura da Dimac/Ipea
    Elaboração: Grupo de conjuntura da Dimac/Ipea

     

    De acordo com o levantamento, ao contrário dos outros países, nos últimos três meses, a inflação brasileira registrou um desempenho favorável, beneficiada, principalmente, pela melhora no comportamento dos preços administrados. 

    Ainda segundo o estudo, após crescimento de 11,7%, no acumulado em 12 meses, em maio, a inflação medida pelo IPCA caiu para 8,7% em agosto. Até agosto, a variação apontada pelo IPCA foi de 4,4%, refletindo, em grande parte, o recuo de 4,0% dos preços administrados, especialmente da energia elétrica, queda de 20,5% e da gasolina, aos 19,3%.

    Sobre os preços livres, a pesquisa mostrou que apesar dos dados apresentarem desaceleração na margem, os alimentos no domicílio continuam a ser o principal fator de pressão sobre a inflação ao longo do ano. 

    “A alta acumulada de 11,8% para esse grupo entre janeiro e agosto reflete os expressivos aumentos dos leites e derivados (40,2%) e dos panificados (16,9%). Ainda que em menor intensidade, os aumentos de 7,3% dos bens industriais e de 5,8% dos serviços livres, no período, também contribuíram para evitar uma desaceleração ainda mais forte do IPCA”, informou o Ipea. 

    Em relação aos preços administrados, a projeção atual de deflação de 4,2%, ante à alta de 1,1% prevista anteriormente, é consequência das quedas mais acentuadas dos combustíveis, do gás e da energia. Enquanto para os bens industriais, a expectativa de inflação recuou de 9,1% para 8,7%, beneficiada pela queda nos custos de produção.

    Entretanto, as projeções de inflação para os alimentos no domicílio e para os serviços foram elevadas, avançando de 12,3% e 6,9% para 13,2% e 7,6%, respectivamente. 

    “No caso dos alimentos no domicílio, a aceleração prevista é decorrente dos expressivos reajustes dos leites e panificados, ocorridos em junho e julho, que não devem ser compensados, mesmo diante da previsão de queda nos próximos meses, conforme já verificado no IPCA-15 de setembro. Já para os serviços, o aumento da projeção é resultante de uma alta mais forte que a esperada, no trimestre anterior, além dos efeitos da manutenção da demanda, decorrentes do forte crescimento da massa salarial”, segundo trecho da pesquisa.

    Ao INPC, o Ipec informou que há expectativa de redução ainda mais acentuada dos preços administrados, saindo de -0,9% para -3,9% neste ano. “Ainda que em menor intensidade, a inflação esperada para os bens industriais também foi reduzida – alta de 8,3%, ante taxa de 8,9% projetada anteriormente. Há, porém, uma previsão maior para a inflação dos alimentos e dos serviços livres, cujas taxas de variação projetadas avançaram de 12,6% e 6,6% para 13,8% e 7,2%, respectivamente”.

    Para 2023

    As perspectivas para o ano que vem permaneceram em 4,7%, tanto para o IPCA, quanto para o INPC.

     “Mesmo diante do aumento do risco cambial, oriundo do aperto monetário internacional, o cenário mais favorável – de estabilidade ou queda de preços – para as commodities no mercado internacional e a normalização das cadeias produtivas devem impedir altas mais expressivas dos preços dos bens industriais”, pontuou o dado, que também indicou que a “projeção de uma safra recorde de grãos e a baixa probabilidade de eventos climáticos adversos devem proporcionar uma alta mais moderada dos alimentos em 2023”.