Juros para consumidores devem subir nos próximos meses, diz secretário do Tesouro

    Reajuste, que deve impactar também empresas, é reflexo dos juros incididos sobre títulos do governo - base para precificar empréstimos

    Foto: Divulgação/Governo do Estado do Espirito Santo

    O secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, afirmou nesta quarta-feira (25) que as taxas de juros cobradas de pessoas físicas e jurídicas deve aumentar já nos próximos meses. O reajuste é reflexo dos juros incididos sobre títulos do governo, que são base para precificação de empréstimos.

    De acordo com informações da Folha de S.Paulo, Funchal ponderou que se voltar o processo de consolidação fiscal, os juros podem voltar a ficar mais baixos. Por enquanto, o aumento do endividamento público – que saltou de 75% em 2019 para 96% do PIB em 2020 – é responsável pela alta.

    Funchal destacou que as taxas cobradas do governo brasileiro no médio prazo, a partir de dois anos, estão acima do cobrado de outros países emergentes, como Chile, Colômbia e México. Em títulos que vencem em dez anos, as taxas cobradas chegam a 8% ao ano, equivalente a quatro vezes o valor da Selic hoje, 2%.

    “Esse aumento no volume de emissões do Tesouro acaba se refletindo nos juros. Quanto mais eu peço dinehiro emprestado, maior a percepção de risco do mercado em relação ao governo. (…) Hoje há um prêmio de risco muito mais elevado, reflexo da maior necessidade de financiamento e do maior nível de dívida do governo”, explicou.

    Segundo a Folha, há previsão também de elevação dos juros em 2021.