A indústria baiana deve seguir a tendência nacional sinalizada pelo Banco Central e crescer cerca de 5% no próximo ano, segundo estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) nesta quinta-feira (17). Contudo, apesar da expectativa ser de avanço, contexto deixado pela pandemia de Covid-19 cria uma expectativa de retomada “a depender de alguns fatores”, como afirmou ao bahia.ba o superintendente da federação, Vladson Menezes.
“Não espero gandes investimentos na indústria ainda em 2021”, frisou Vladson Menezes. Para o executivo, uma recuperação na economia mundial e no Brasil, que devem acontecer, pode dar novo fôlego à produção de bens de consumo, como veículos e calçados, mas devido aos números deste ano haverá mais uma recuperação parcial do que uma expansão na comparação com o cenário pré-pandemia.
Com recuo de 45% no acumulado janeiro e outubro deste ano, o setor automotivo deve recuperar cerca de 20%, ressaltou o executivo. “(alta de) 20% de veículos não é pouca coisa”, acresce. Para tanto, a vacina será o primeiro fator determinante, pois com a expansão do novo coronavírus uma parte dos consumidores mostra receio de sair de casa e consumir mesmo sem medidas restritivas. Outro influenciador será o comportamento geral da economia.
Na indústria baiana, as maiores alavancas devem ser refino e construção civil, que lideram a retomada já neste ano. No primeiro caso, que representa 30% da produção da indústria de transformação do estado, houve um aumento de demanda pelo bunker (óleo combustível utilizado na navegação) com baixo enxofre, especialidade da refinaria Landulpho Alves, em Camaçari.
“O crescimento no refino deve ter continuado em novembro e dezembro e, talvez não no mesmo ritmo, continuar no ano que vem”, projeta Menezes. A alta acumulada entre janeiro e outubro de 2020 é de 18,1%.
Construção
Na construção civil, continua o superintendente, a atividade terá estimulos tanto por lançamentos imobiliários como em obras públicas. No primeiro caso, os juros baixos influenciam o consumidor a buscar mais financiamentos e ao investidor adquirir mais imóveis, já que aplicações financeiras não rendem tanto como no passado.
A licitação da concessão da Ferrovia Oeste Leste, prevista para abril, e o início das obras do Porto Sul, em Ilhéus, trazem boas perspectivas em obras públicas. O superintendente cita ainda o andamento de obras como o VLT e o BRT, em Salvador.
Fafen
Na Petroquímica, um novo impulso deve vir da reabertura da Fabrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), agora sob gestão da Proquigel. O impasse reside nas indefinições em relação ao suprimento de gás natural a
preços competitivos. O gás natural foi o principal responsável pela projeção de queda de 4,4% neste nos SIUP (serviços industriais de utilidade pública).
“Caso esses problemas sejam superados, a operação deve provocar efeito positivo na cadeia petroquímica devido ao alto grau de integração do Polo de Camaçari, bem como nas empresas produtoras de
fertilizantes”, avalia Menezes.

