No Nordeste, menos da metade das mulheres com filhos trabalham (44,4%)

    Região Norte tem proporção semelhante (48,3%); mão de obra feminina realiza mais tarefas domésticas que os homens

    Foto: Sindicato dos Bancários do Pará

    Menos da metade das mulheres do Nordeste (44,4%) tinham condição de trabalhar em 2019, segundo a Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD Contínua). A região Norte apresentou proporção semelhante (48,3%). Mais do que isso. Os fatores são semelhantes: os afazeres domésticos e com filhos.

    Segundo a mesma pesquisa, na Bahia, as mulheres em geral dedicavam 20,9 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados com pessoas, volume de trabalho que supera o dobro do esforço masculino (9,9 horas semanais). De acordo com a PNAD Contínia, este cenário apenas confirmava as constatações anteriores da pesquisa, iniciada em 2016.

    Na média geral do país, a desigualdade foi semelhanten. As mulheres dedicavam, em média, 21,4 horas semanais aos afazeres e cuidados com filhos, enquanto os homens dedicavam 11 horas. As maiores diferenças foram detectadas nos estados nordestinos da Paraíba (mais 13,3 horas semanais) e Sergipe (mais 12,4 horas). A Bahia ficava em 10o lugar.

    No ano retrasado, no país como um todo, entre as mulheres que tinham crianças pequenas, a proporção de ocupadas (que trabalhavam) em relação ao total com idade para trabalhar (14 anos ou mais) ficava em 54,6%, abaixo dos 67,2% daquelas que não tinham criança e abaixo também da média (64,8% considerando todas as mulheres).

    As mulheres pretas ou pardas também sentem com mais força o impacto que a presença de crianças de até 3 anos de idade no domicílio tem na hora de conseguir um trabalho remunerado. Menos da metade delas, nessa situação, trabalhavam em 2019, no país (49,7%), frente a 62,6% das brancas na mesma condição.