Petrobras: mudanças de pessoal ligam alerta para tese na ação, mas BofA mantém compra

    Manutenção da recomendação é baseada em expectativa de que dividendos se mantenham

    Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Em relatório às vésperas dos resultados do segundo trimestre de 2024 (2T24) da Petrobras (PETR4), o Bank of America destacou algumas indicações recentes na imprensa de que, desde a nomeação da nova CEO, Magda Chambriard, várias mudanças de pessoal ocorreram na estatal, o que causa temor aos investidores, de acordo com informações do portal InfoMoney.

    Essas mudanças incluem diretores executivos como o CFO, Diretor de exploração e produção e o Diretor de Engenharia, Tecnologia e Inovação, gerentes de nível médio e também mudanças no Comitê de Auditoria Estatutária. O jornal O Estado de S. Paulo estima que cerca de 60% dos gerentes-executivos da empresa foram substituídos.

    Para os analistas do BofA, essas mudanças decorrem, em última análise, do interesse do governo em transformar a Petrobras em um motor para fomentar o crescimento econômico (como em governos anteriores do PT) acelerando/aumentando o capex (investimentos em capital).

    “Nossa impressão é que as mudanças recentes desde que Magda Chambriard se tornou a nova CEO visam introduzir diretores/gerentes na empresa com laços mais fortes com a atual administração do PT, que talvez possam facilitar ou suavizar o processo de atingir esse objetivo”, pontuou o banco.

    Além disso, historicamente, a Petrobras tende a gastar menos do que o guidance (projeção) de capex (geralmente gasta 80% da orientação de capex). Em última análise, o banco vê assim dividend yield (dividendo em relação ao preço da ação) de mínimos 9% nos próximos três trimestres. Mas, com pagamentos de dividendos extraordinários, esse rendimento pode aumentar para 13,5%.

    O BofA também vê alguns eventos/decisões recentes como positivos e que aumentam o conforto com a governança corporativa: (1) manutenção da atual política de dividendos de 45% do FCF (fluxo de caixa livre); (2) manutenção da política de preços de combustíveis e ajustes recentes para cima nos preços da gasolina, que agora estão com um desconto de apenas 4% em relação à paridade de importação; e, mais importante, (3) recente acordo de disputas fiscais no valor de R$ 45 bilhões com um desconto de 65% e permitindo que a empresa use créditos de prejuízo fiscal e depósitos judiciais para cobrir uma grande parte desse pagamento, implicando um pequeno desembolso líquido de caixa.

    “Portanto, em última análise, também vimos alguns eventos positivos recentes desde a nomeação do novo CEO”, disse o BofA.