Salim Mattar sobre o governo Bolsonaro: ‘Poucas vozes defendem as privatizações’

    Ex-secretário especial de Desestatização e Privatização do governo federal disse que não há interesse do establishment na redução do Estado

    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

    O ex-secretário especial de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, disse que deixou o governo do presidente Jair Bolsonaro após perceber que não há nenhum interesse do governo federal nas privatizações. Em entrevista à rádio Jovem Pan News, nesta segunda-feira (5), Mattar declarou que não há interesse do establishment na redução do Estado.

    “Eu deixei o governo porque o establishment não tem interesse na redução do Estado e, consequentemente, nas respectivas privatizações das nossas estatais”, afirmou.

    Em seguida, Mattar defendeu o ministro da Economia, Paulo Guedes, ao dizer que o economista é liberal e que por ele, todas as estatais seriam privatizadas, mas que há um limite de poder imposto pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo Congresso Nacional.

    “O ministro Paulo Guedes é um liberal na essência. Por ele, seriam vendidas todas as estatais. O que acontece é que as grandes estatais brasileiras necessitam do Congresso autorizar a venda, como os Correios, a Eletrobrás, Banco do Brasil, Petrobras, Caixa Econômica”, explicou.

    De acordo com Mattar, além da dificuldade de convencer os congressistas a aprovarem as privatizações, há poucas vozes favoráveis a pauta dentro do governo federal.

    “Por isso resolvi deixar o governo. Porque não senti um clima favorável as privatizações. As pessoas que estão no governo precisam saber que tamanha pobreza e desigualdade no Brasil é proveniente de um Estado gigantesco, inchado, burocrático e oneroso para o cidadão pagador de impostos”, completou.