
A recuperação do setor hoteleiro brasileiro está diretamente ligada a um efetivo cronograma de vacinação contra a Covid-19. Essa é a análise do presidente da ABIH-BA (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis -Seção Bahia), Luciano Lopes.
Em entrevista ao bahia.ba, ele revelou que a recuperação do trade turístico ainda não ocorrerá no primeiro semestre deste ano justamente pelo atraso do poder público em começar a vacinar a população contra o novo coronavírus.
“Sem a vacina ainda teremos muitas restrições de viagens, aeroportos com capacidade reduzida e não haverá demanda suficiente para iniciar recuperação. O tempo de recuperação está diretamente relacionado com o cronograma das vacinas. Quando tiver um cronograma claro do governo, entre os estados e os municípios, se inicia a retomada dos segmentos”, afirmou.
De acordo com o último balanço feito pela entidade, o faturamento dos hotéis localizados na Bahia, devido à pandemia, caiu 56% em 2020 ante 2019. A previsão de ocupação para o ano passado era de 66,4%, mas ficou em 37,4% – uma redução 44% no número de turistas esperados.
Apesar do cenário crítico, segundo Luciano Lopes, nenhum hotel do estado fechou as portas definitivamente por conta da pandemia, como chegou a ser cogitado em meados de abril, ocasião em que 95% dos estabelecimentos estavam com as atividades suspensas.
“Hoje invertemos esse percentual. A grande maioria, cerca de 98% dos hotéis estão funcionando. Até o momento não temos oficialmente registro de hotéis que fecharam definitivamente suas operações. Esperamos que esse cenário perdure”, desejou.
Segurança sanitária de Salvador está atraindo turistas
Ao longo da pandemia, a Bahia, sobretudo Salvador, se destacaram em razão das ações do governo do Estado e da Prefeitura para conter o avanço e os danos provocados pelo novo coronavírus. Prova disso, segundo o presidente da ABIH-BA, é que a capital baiana “lidera como principal cidade procurada pelo turismo brasileiro na pandemia”.
“Demonstra o trabalho realizado na cidade nos últimos cinco anos, os quais a ABIH-BA participou ativamente. Conseguimos manter Salvador no pensamento e no desejo das pessoas. A Bahia sai na frente no que diz respeito ao turismo. No entanto, efetivamente só poderá consolidar posição quando começar a vacina”, reforçou.
Enquanto não sai a vacina, os estabelecimentos têm incrementado suas promoções para atrair mais clientes. “Sobretudo de pacotes mais prolongados, onde o hóspede compra duas diárias noites e fica hospedado por três. Essas promoções são importantes para atrair clientes, sobretudo o de cidades próximas de Salvador, de estados vizinhos. É importante destacar que os hotéis têm trabalhado muito com os protocolos para dar conforto e sensação de segurança aos nossos clientes”.
Expectativa é recontratar os 40% dos funcionários demitidos
Uma das ações da ABIH-BA no enfrentamento da crise provocada pela pandemia da Covid-19 foi se antecipar, ainda em março, para garantir créditos para hotéis associados e não associados. Entre as conquistas estão linhas de créditos adquiridas com o Banco Nordeste e com a Desenbahia.
“Isso fez com que os hotéis conseguissem fôlego para, pelo menos, passar o período mais difícil da pandemia, entre abril e julho. A partir daí começaram a reabrir e retomar o capital de giro, de faturamento, minimizar as perdas que estamos tendo”, disse Luciano Lopes
Apesar de tais conquistas, pelo menos 40% do quadro de funcionários do setor hoteleiro da Bahia foram demitidos. “Nem todos conseguiram colocar os funcionários nas medidas provisórias, por isso tiveram que fazer demissões. No entanto, a gente já observa as recontratações acontecendo. Houve 15% de recontratação em dezembro, em relação a novembro”, informou o porta-voz da associação.
A expectativa, segundo ele, é que todos os funcionários demitidos sejam recontratados no decorrer da recuperação do segmento. “Os hotéis precisam retomar as atividades e as atividades se dão justamente com a contratação de pessoas. É o fator fundamental no nosso negócio”, afirmou Luciano Lopes.

