A saída inesperada do CEO da Nestlé, Mark Schneider, levantou preocupações entre os investidores sobre as perspectivas de lucratividade da maior empresa de alimentos do mundo, que luta para reconquistar os clientes cansados da inflação para as marcas premium, de acordo com informações do portal Bloomberg Línea.
Após oito anos como CEO da fabricante suíça do café Nespresso e dos alimentos para animais de estimação Purina, Schneider será substituído pelo chefe da América Latina, Laurent Freixe, informou a Nestlé na quinta-feira (22).
A notícia foi uma surpresa, uma vez que Schneider estava programado para comparecer a três eventos diferentes nesta semana, incluindo uma conversa em um encontro do Barclays divulgada horas antes do anúncio. Os analistas especularam que a saída pode ser um presságio de um corte no guidance financeiro da Nestlé, e as ações caíram até 4,1% no dia seguinte ao anúncio.
A mudança levanta questões sobre o grau de recuperação do crescimento no segundo semestre, se o guidance da margem de lucro para 2025 será mantido e se poderá haver algum aumento nos níveis de produtividade, escreveu Tom Sykes, analista do Deutsche Bank, em uma nota.
Freixe afirmou a analistas em uma teleconferência na sexta-feira (23) que a empresa voltará ao tema da atualização de suas metas financeiras quando realizar um evento para investidores em novembro. Atualmente, a Nestlé tem como meta uma margem operacional de pelo menos 17,5% para 2025.
Troca em série de CEO em bens de consumo
Schneider é o mais recente chefe do setor de bens de consumo a ser demitido. As empresas do segmento têm lutado para convencer os compradores a voltarem às marcas premium após um período de alta inflação e aperto de cinto.
Na semana passada, Laxman Narasimhan perdeu seu cargo de CEO da Starbucks depois de menos de dois anos; ele será substituído pelo chefe da Chipotle Mexican Grill, Brian Niccol. O CEO da Estée Lauder, Fabrizio Freda, planeja se aposentar em 2025, depois que a empresa de cosméticos enfrentou problemas nos últimos meses.
No ano passado, novos CEOs começaram a trabalhar na Unilever, fabricante de sabonetes Dove, na Reckitt Benckiser Group, fabricante de fórmulas infantis, e na Diageo, destiladora de uísque Johnnie Walker.
As empresas tentam reconquistar a confiança dos investidores em um ambiente em que as taxas de juros permanecem altas e os consumidores continuam controlando os gastos.
Enquanto varejistas como o Walmart e a Target se adaptaram a compradores mais preocupados com os preços, em parte promovendo sua oferta de produtos de marca própria mais baratos, empresas como a Nike ficaram para trás.
Mark Schneider estava na liderança da Nestlé desde o início de 2017.
“A pandemia, as interrupções na cadeia de suprimentos, a inflação de 50 anos, o rápido aumento das taxas de juros e o efeito negativo do sentimento do consumidor conspiraram para criar um ambiente difícil para as ações do consumidor médio”, disse Eric Clark, gerente de portfólio da Accuvest Global Advisors.

