Na esteira do avanço da pandemia do novo coronavírus, o volume de serviços no Brasil teve queda recorde de 11,7% em abril, a pior desde o início da série histórica, em 2011, divulgou nesta quarta-feira (17) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado reflete os efeitos das medidas restritivas de distanciamento social impostas em cidades e estados do país, com a suspensão de atividades não essenciais adotada para tentar conter a disseminação da pandemia.
Parte dos funcionários ainda foi colocada em home office, o que também contribuiu para diminuir a demanda por serviços.
De acordo com o IBGE, é o terceiro recuo seguido no volume de serviços. O setor já vinha em queda em fevereiro, que se intensificou a partir de março, já sob os efeitos da pandemia, acumulando perda de 17,9% em março e abril.
Na comparação com abril do ano passado, o recuo do volume de serviços foi de 17,2%. Já no acumulado de 2020, o setor recuou 4,5%, em relação ao mesmo período do ano anterior.
Todas as cinco atividades pesquisadas pelo IBGE registraram retração recorde. A última vez uma queda generalizada ocorreu antes da pandemia foi durante a greve dos caminhoneiros, em maio de 2018.
O maior impacto veio do ramo de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que recuaram 17,8% e possuem peso na pesquisa. O resultado é reflexo principalmente da perda de receitas no transporte aéreo de passageiros e no transporte rodoviário coletivo, que enfrentaram restrições por conta das medidas de distanciamento social.
Ainda registraram queda os Serviços prestados às famílias registraram (-44,1%), Serviços profissionais, administrativos e complementares registraram (-8,6%), Informação e comunicação (-3,6%) e Outros serviços (-7,4%).
Na análise regional, entre todas as unidades da federação, apenas o Mato Grosso não recuou nos serviços em abril. O estado cresceu 9% no setor, sem recuperar a perda de 12,6% em março. O resultado positivo foi por causa do aumento do transporte ferroviário de cargas devido ao escoamento da produção de grãos da região.
Os serviços têm forte peso sobre o PIB (Produto Interno Bruto), com participação acima de 60%. O recorde negativo no setor é outro indicador do desastre econômico que atingiu o Brasil em meio à pandemia.

