Publicado em 31/07/2026 às 21h06.

Tarifa dos EUA afeta só 1,8% do agro baiano, aponta estudo

Levantamento indica impacto limitado, mas alerta para setores como sisal, mel e pescados.

Redação
Foto: Ueslei Costa / Divulgação

 

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos importados devem provocar um impacto direto em apenas 1,8% das exportações do agronegócio baiano, segundo um estudo técnico elaborado pela assessoria econômica do Sistema Faeb/Senar. Apesar do percentual reduzido, a entidade alerta que os efeitos podem ser mais intensos em algumas cadeias produtivas específicas.

A nova cobrança de 12,5%, anunciada pelo governo norte-americano, será somada à tarifa de 25% já aplicada anteriormente pelo presidente Donald Trump. Mesmo assim, a maior parte dos produtos exportados pela Bahia para os EUA continuará livre das novas taxações.

Entre julho e dezembro de 2025, o agronegócio da Bahia movimentou US$ 3,6 bilhões em exportações. Desse total, US$ 222,54 milhões tiveram como destino o mercado norte-americano, o equivalente a 6,1% das vendas internacionais do setor.

Ainda conforme o levantamento, 68% das exportações baianas para os Estados Unidos permanecem na lista de exceções e seguem isentas das novas tarifas. Apenas 29,1% do valor exportado para o país será efetivamente tributado, enquanto uma pequena parcela ainda aguarda definição técnica sobre o enquadramento.

Produtos mais exportados seguem protegidos

Os principais itens da pauta de exportação do agronegócio baiano não serão atingidos pelas novas medidas. Permanecem isentos produtos como celulose convencional, manteiga e óleo de cacau, manga, além de água de coco, cacau em pó e café em grão.

O principal foco de preocupação é a pasta química de madeira para dissolução, que exportou US$ 49,43 milhões para os Estados Unidos no segundo semestre de 2025. O produto passa a enfrentar uma carga tributária acumulada que pode chegar a 37,5% e representa cerca de 76% de todo o valor tarifado do agronegócio baiano.

Sisal, mel e pescados concentram maior preocupação

Embora o impacto geral seja considerado pequeno, a Faeb destaca que algumas atividades regionais podem sentir os efeitos de forma mais intensa. Os cordéis de sisal, por exemplo, passam a pagar a tarifa adicional de 12,5%, sendo que entre 70% e 80% da produção exportada tem como destino os Estados Unidos.

O estudo também aponta preocupação com as exportações de mel natural, pescados, calçados de couro e uvas frescas, que passam a sofrer incidência das novas tarifas. No caso dos pescados, mais de 80% das vendas para o mercado norte-americano serão atingidas.

Faeb defende diversificação dos mercados

As simulações realizadas pela assessoria econômica do Sistema Faeb/Senar indicam que, mesmo em um cenário mais pessimista, com redução de 30% das exportações para os Estados Unidos, a perda seria de US$ 19,42 milhões, o equivalente a apenas 0,53% das exportações totais do agronegócio baiano.

Para a entidade, o desafio deixa de ser generalizado e passa a atingir cadeias produtivas e regiões específicas. Diante desse cenário, a Faeb defende ações voltadas à diversificação dos mercados internacionais, ao fortalecimento dos setores mais dependentes dos Estados Unidos e ao aumento da competitividade das empresas afetadas.

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